Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos 2026 homenageia a autora e roteirista Manuela Dias

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A Câmara Brasileira do Livro (CBL) prestará uma homenagem à autora, roteirista e escritora Manuela Dias durante o 5º Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos (EELDG 2026), que acontece de 13 a 15 de maio, no Casa Grande Hotel Resort & Spa, no Guarujá (SP).

Reconhecida por sua contribuição à cultura brasileira e por sua atuação na valorização das narrativas contemporâneas, Manuela Dias será celebrada por sua trajetória marcada por obras que conectam literatura, audiovisual e reflexão social.

A homenagem destaca a relevância de criadores que ampliam o alcance das histórias e reforçam o papel da leitura como ferramenta de transformação na sociedade.

 

Crédito da foto: Catarina Ribeiro

Iniciativa liderada pela CBL e ApexBrasil aposta no matchmaking e no tradicional networking brasileiro para expandir negócios internacionais na Itália

O Brazilian Publishers — projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro fruto da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE) — desembarca na Itália para a 63ª edição da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha (BCBF)

Entre os dias 13 e 16 de abril, o Brasil reafirma sua posição como potência criativa no mercado editorial para crianças e jovens, apresentando uma delegação robusta composta por 24 editoras.

A delegação institucional será composta por Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro; Hubert Alquéres, vice-presidente de operações da CBL e curador do Prêmio Jabuti; Diego Drumond, vice-presidente de administração e finanças; Fernanda Garcia, diretora executiva; Floriano Pesaro, diretor de gestão corporativa da ApexBrasil; Rayanna Pereira, coordenadora de Relações Internacionais; e Ana Claudia Paiva, analista de Relações Internacionais.

As editoras que compõem a delegação oficial são: Bom Bom Books / Cedic International, FTD Educação, Callis, Girassol, Pallas, Mágico de Oz, Biruta, Mil Caramiolas, CLB Produções, Telos, VR Editora, Pop Stories, DSOP, Jujuba, Carochinha, The Ruth Rocha Project, Ciranda Cultural, Aletria, Todolivro, You Had Me At, Renata Tavares, Rovelle, Mostarda e IMEPH.

Reconhecida como um dos principais pontos de encontro mundiais da literatura infantil para a venda de direitos e coedições, a Feira do Livro de Bolonha é o cenário onde o projeto Brazilian Publishers aposta em uma fórmula de sucesso que combina estratégia e cultura.

No estande brasileiro, as sessões de matchmaking ganham protagonismo ao conectar, de forma estruturada, editores brasileiros a compradores internacionais interessados em novas histórias e parcerias editoriais. Esses encontros direcionados ampliam as oportunidades de negociação e fortalecem a presença do Brasil no mercado global de direitos autorais.

Complementando a agenda de negócios, a tradicional Caipirinha Hour cria um ambiente descontraído que favorece o networking e a troca de experiências. Entre conversas informais e brindes à cultura brasileira, o momento se consolida como uma oportunidade valiosa para estreitar relações e transformar encontros em futuras exportações.

Para Sevani Matos, o evento é o momento em que o trabalho de internacionalização atinge seu ápice. “Bolonha exige excelência e o Brasil entrega justamente isso. Temos autores e ilustradores de alto nível e premiados e uma literatura diversa que tem capacidade única de diálogo universal. Estar com 24 editoras e uma estrutura focada em gerar conexões reais mostra a maturidade e a força do Brasil”, afirma a presidente da CBL.

Já Rayanna Pereira destaca o papel estratégico da feira para o crescimento sustentável das editoras brasileiras no exterior. “Bolonha é a vitrine definitiva para o livro ilustrado e para as narrativas que cruzam fronteiras. Nossa missão é pavimentar o caminho para que a qualidade da nossa produção encontre editores de todos os continentes”, conclui.

Na edição de 2025, a participação do Brazilian Publishers, que incluiu 24 empresas brasileiras, resultou em números expressivos. Os negócios gerados e previstos alcançaram US$ 13,4 milhões — um crescimento de aproximadamente 793% em relação a 2024, quando o volume registrado foi de US$ 1,5 milhão. Ao longo da feira, também foram realizados 622 contatos comerciais, reforçando o evento como uma importante plataforma para a internacionalização da literatura brasileira e para a ampliação de parcerias no mercado global.

Saiba mais sobre o Brazilian Publishers aqui.

Neste 2 de abril, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) se une ao IBBY International e ao IBBY Cyprus para celebrar o Dia Internacional do Livro Infantil 2026, uma data dedicada a reconhecer o poder transformador das histórias e da leitura na formação de crianças e jovens em todo o mundo.

O tema deste ano, “Plant stories and the world will bloom”, reforça a ideia de que cada livro compartilhado é uma semente capaz de inspirar imaginação, empatia e cuidado com o mundo. A mensagem, assinada por Elena Perikleous, e o cartaz oficial, criado pela ilustradora Sandra Eleftheriou, convidam leitores, educadores e mediadores a fortalecer o acesso das crianças à literatura e à cultura desde os primeiros anos.

Ao participar desta celebração internacional, a CBL reafirma seu compromisso com o direito de toda criança e jovem ao acesso a livros de qualidade, reconhecendo a leitura como um instrumento essencial para o desenvolvimento humano, cultural e social. Celebrar o Dia Internacional do Livro Infantil é também valorizar o trabalho de autores, ilustradores, editores, educadores e instituições que atuam diariamente para aproximar livros e leitores.

Convidamos escolas, bibliotecas, editoras, mediadores de leitura e o público em geral a se juntarem a essa celebração, compartilhando atividades, leituras e ações que façam florescer o amor pelos livros e pelas histórias.

O download do material pode ser feito aqui.

Por Sevani Matos e Hubert Alquéres

O encontro inicial com os livros é um dos momentos mais decisivos na formação de qualquer leitor, mas no Brasil ainda está longe de ser uma realidade universal.

É na infância que se descobrem histórias, personagens e ideias que ampliam o olhar sobre o mundo. Antes mesmo de compreender plenamente a linguagem, a criança intui que ali existe algo maior: uma possibilidade de imaginar, explorar e dar sentido ao que a cerca, muitas vezes por meio das imagens, que inauguram esse encontro com a mesma potência das palavras.

A literatura infantil não é apenas uma etapa na formação do leitor. Ela constitui uma base essencial da formação cultural, cognitiva e criativa. É nesse momento que se desenvolvem habilidades decisivas, como a linguagem, a imaginação e a capacidade de atribuir sentido à experiência. Mais do que introduzir a leitura, ela estabelece fundamentos que acompanham o indivíduo ao longo de toda a vida.

No Brasil, porém, essa realidade segue longe de ser universal. Milhões de crianças crescem sem acesso regular a livros, sem bibliotecas estruturadas e sem mediação qualificada. Trata-se de um déficit silencioso, que compromete desde cedo a trajetória dos estudantes, revela uma fragilidade estrutural do nosso sistema de educação e ajuda a explicar, em parte, os baixos níveis de letramento observados ao longo da vida escolar.

Garantir o acesso ao livro desde a infância é, portanto, uma condição necessária, mas não suficiente. Mais do que iniciativas isoladas, o país carece de uma articulação institucional capaz de dar escala, continuidade e coerência a essas ações. A formação de leitores não se sustenta apenas por esforços fragmentados, ainda que bem-intencionados. Exige estruturas capazes de integrar produção, circulação e mediação de forma consistente. Programas surgem e desaparecem, políticas não se consolidam e a formação de leitores permanece dispersa, incapaz de produzir efeitos duradouros.

Além disso, o acesso ao livro infantil ainda reflete as desigualdades do país. Enquanto algumas crianças crescem cercadas de livros, outras têm contato com eles apenas de forma episódica, quando o têm. Isso tende a se ampliar ao longo da vida escolar, produzindo trajetórias cada vez mais desiguais.

Nesse processo, a qualidade importa. Escrever para crianças exige rigor, sensibilidade e domínio da linguagem. Ilustrar, por sua vez, é um ato de criação que demanda repertório, técnica e intencionalidade. Texto e imagem não ocupam lugares hierárquicos: constroem juntos a narrativa, ampliam significados e criam camadas de leitura. Valorizar a produção de livros infantis é, portanto, reconhecer a literatura e a ilustração como dimensões indissociáveis de uma mesma experiência criativa e, no caso brasileiro, reconhecer também a força de uma produção que alcançou alta qualidade e projeção internacional.

O setor do livro infantil, que envolve autores, ilustradores, editoras, livrarias, escolas e bibliotecas, forma um ecossistema complexo, que exige coordenação e visão integrada para funcionar plenamente. No entanto, sem acesso consistente e mediação qualificada, esse sistema não alcança plenamente quem mais precisa.

A mediação, aliás, é um ponto central. A formação de leitores não acontece de forma espontânea. Professores, bibliotecários e famílias são responsáveis por aproximar a criança do livro, criar contextos de leitura e transformar o acesso em experiência significativa. É nesse encontro que a leitura deixa de ser possibilidade e se torna prática.

Por meio dos livros, a criança amplia seu repertório e entra em contato com diferentes realidades, experiências e perspectivas. A leitura permite reconhecer o outro, compreender diferenças e desenvolver empatia. Ao mesmo tempo, contribui para a construção de um universo que sustenta o pensamento e a criatividade.

Também é fundamental que as crianças tenham acesso a livros que representem a diversidade de experiências, territórios e identidades que compõem a sociedade. A literatura infantil contribui para o desenvolvimento do senso de pertencimento e para o reconhecimento da pluralidade que caracteriza o mundo contemporâneo.

Em um contexto de múltiplos estímulos e formas de acesso à informação, o livro segue sendo uma ferramenta insubstituível. Mais do que disputar espaço, a literatura infantil reafirma sua relevância ao oferecer uma experiência de leitura profunda, estruturada e formadora.

Celebrar o Dia Mundial do Livro Infantil, em 2 de abril, data de nascimento de Hans Christian Andersen, não deve ser apenas marcar uma data. É enfrentar uma escolha. Investir no acesso, na qualidade e na mediação dos livros para crianças exige não apenas recursos, mas capacidade de organização e articulação em escala, algo que o país ainda não conseguiu estruturar de forma consistente.

Sociedades que não formam leitores desde a infância dificilmente formam cidadãos capazes de compreender, participar e transformar a realidade. E é nas primeiras histórias, feitas de palavras e imagens, que começam, silenciosamente, as possibilidades de futuro de um país.

Sevani Matos é presidente da Câmara Brasileira do Livro e

Hubert Alquéres é Curador do Prêmio Jabuti

Desde 2023, editoras brasileiras do projeto Brazilian Publishers já movimentaram mais de US$ 20 milhões em negócios na feira 

O Brasil vem consolidando sua presença no mercado editorial internacional. Um levantamento do Brazilian Publishers, projeto de internacionalização do conteúdo editorial nacional promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), em parceria com a ApexBrasil, mostra que, nas três últimas edições da Feira do Livro de Frankfurt, o país acumulou mais de US$ 20 milhões em negócios, um crescimento de 47% desde 2023. 

Em 2025, o volume negociado pelas editoras brasileiras participantes do projeto alcançou US$ 8,1 milhões, superando os US$ 6,8 milhões de 2024 e os US$ 5,5 milhões de 2023, no principal evento editorial do mundo. 

“A Feira de Frankfurt é um dos maiores palcos do setor editorial mundial e a CBL promove em feiras como essa, um trabalho contínuo de internacionalização ao longo dos anos. Foram realizadas mais de 300 reuniões de negócios, e o número de editoras participantes nesta edição se manteve em 26 empresas, reforçando que o aumento está diretamente ligado à profissionalização e à maturidade das editoras brasileiras na exportação de conteúdo”, afirma Sevani Matos, presidente da CBL. 

O estande do Brasil foi um dos mais movimentados da edição de 2025. A área brasileira ganhou destaque pelos dois corredores que concentraram intensa circulação de visitantes. O tradicional Caipirinha Hour voltou a ser um dos pontos de encontro mais concorridos entre editores e agentes internacionais, consolidando o espaço como ambiente de networking e celebração da literatura brasileira. 

Neste ano, a CBL lançou uma nova edição do Catálogo de Livros e Direitos Autorais, publicado em inglês e espanhol.  A publicação reúne mais de 200 títulos, evidenciando a diversidade e a força criativa da produção literária do país. A programação brasileira incluiu palestras, mesas de leitura e debates que foram de Clarice Lispector à literatura infantojuvenil contemporânea, ampliando a discussão sobre o papel do Brasil como produtor de conhecimento. 

Criado em 2008, o Brazilian Publishers apoia mais de 80 editoras em sua entrada no mercado global, com ações que incluem treinamento em exportação, missões comerciais, projetos compradores, matchmaking e apoio logístico. O Brasil participa hoje das sete maiores feiras do livro do mundo, reforçando sua presença em circuitos estratégicos. 

Até sexta-feira, evento reúne especialistas nacionais e internacionais em debates sobre os rumos do setor editorial brasileiro 

O primeiro dia do 4º Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos (EELDG), promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), reuniu nesta quarta-feira (20), no Casa Grande Hotel Resort & Spa, no Guarujá (SP), cerca de 300 participantes para debater os rumos do setor editorial brasileiro. Até sexta-feira (22), especialistas nacionais e internacionais participam de mesas, painéis e atividades práticas sobre temas como inovação, inteligência artificial, marketing, sustentabilidade, curadoria e comportamento de consumo. 

A mesa de abertura, “A Voz das Entidades: Diálogos, Desafios e Conquistas Compartilhadas”, reuniu representantes das principais instituições do setor. Sevani Matos, presidente da CBL, começou a conversa destacando a importância da união das entidades. “Mais do que um encontro, esse é um momento para mostrar ao público como temos avançado quando trabalhamos juntos, com diálogo, respeito e estratégia. Na CBL, acreditamos muito que essa troca permanente entre nossas instituições é essencial para fortalecer políticas públicas, ampliar o acesso ao livro e à leitura, garantir a diversidade de títulos e proteger toda a cadeia produtiva e criativa do livro. Temos desafios enormes pela frente, mas as conquistas que já alcançamos mostram que estamos no caminho certo”.  

Ângelo Xavier, presidente da Abrelivros, destacou a urgência de políticas públicas diante da queda no índice de leitura desde 2019, apontada pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, e defendeu o fortalecimento do PNLD como política estratégica. Marcus Teles, diretor da Rede Livrarias Leitura e representante da ANL, ressaltou o papel da chamada Lei Cortez no fortalecimento das livrarias brasileiras, inspirada na bem-sucedida Lei Lang da França. 

Já João Scortecci, presidente da Abigraf-SP, lembrou o histórico distanciamento entre editores e gráficos e defendeu o fortalecimento do diálogo: “Descobrimos que as editoras não mordem, e o diálogo está sempre aberto”. Renato Fleischner, diretor do SNEL, reforçou a atuação conjunta das entidades pela atualização da legislação de direitos autorais diante dos desafios da inteligência artificial. Lizandra Magon, presidente da Libre, ressaltou os avanços obtidos com a formulação do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), lançado em 2024, mas ponderou que sua implementação plena ainda está em andamento. “O objetivo é chegar à base e atender pessoas em todas as regiões do país.” 

Patricia Amorim, presidente da ABDL, reforçou a preocupação da associação com o acesso do livro ao consumidor final: “Nos preocupamos com a chegada do livro na ponta. Levar o livro até o consumidor final é o nosso cerne.” 

O painel seguinte, Inteligência Artificial e seu impacto na Indústria do Livro”, conduzido pelo argentino Daniel Benchimol (Proyecto451), trouxe reflexões sobre as transformações provocadas pela IA. “Estamos diante de uma mudança social de enorme alcance. A IA já permite feitos que levariam séculos de pesquisa, mas também carrega vieses e alucinações. Precisamos de uma postura crítica e responsável diante dessas ferramentas, entendendo como influenciam nossa cultura e o futuro do livro.” 

Na sequência, a mesa “Reflexões sobre as oportunidades: como editores colocam em prática estratégias a partir da realidade do setor editorial”, mediada pela jornalista Talita Facchini, reuniu Felipe Brandão (Planeta Brasil), Renato Fleischner (Mundo Cristão) e Samuel Coto (HarperCollins Brasil). Brandão destacou o potencial de crescimento do mercado digital e de audiobooks no Brasil, além da importância de diversificar catálogos para além do eixo Rio-São Paulo e de fortalecer a literatura infantil. Fleischner ressaltou que 30% das vendas da Mundo Cristão são destinadas ao mercado não religioso e que o digital tem ampliado o alcance da Bíblia. Já Coto lembrou que pesquisas confirmam o protagonismo feminino no consumo de livros, mas defendeu também estratégias específicas para engajar o público masculino. 

Encerrando o primeiro dia, o painel “Como fazer com que nossas empresas tenham profissionais cada vez mais inovadores, abertos e diversos?” reuniu Sevani Matos (CBL), Carolina Riedel (Grupo Pensamento), Tatiany Leite (jornalista) e Ellen Costa (Grupo Editorial Aleph), com mediação de Flavia Bravin (Saber, Cogna Educação e PublisHer). As participantes compartilharam experiências pessoais e profissionais, refletiram sobre os desafios de gênero e destacaram a importância de equipes diversas e de culturas organizacionais abertas à inovação. 

Para Sevani Matos, a prática continua sendo central no setor: “O nosso setor não é das ciências exatas. Muitas decisões são de feeling, e a feitura do livro se aprende no dia a dia, com equipes formadas por pessoas de diferentes culturas e experiências.” Carolina Riedel ressaltou que a diversidade enriquece a gestão: “Inovação e tradição podem caminhar juntas, e a troca entre diferentes gerações fortalece a prática editorial.” Tatiany Leite trouxe a questão da representatividade feminina nos espaços de poder, enquanto Ellen Costa defendeu o olhar 360º sobre diversidade: “O que parece óbvio nem sempre é. Só conseguimos mudar quando a experiência é aplicada internamente, com equipes que representem mulheres, pessoas pretas e diferentes realidades.” 

O Encontro segue até sexta-feira (22), com uma programação que combina painéis, workshops, networking e a participação de especialistas nacionais e internacionais. 

Confira aqui a programação completa do evento. 

Por Diego Drumond


Livro e liberdade deveriam ser a mesma coisa. Desde a invenção dos primeiros símbolos, liberdade fomentou leitura e interpretação, que estimularam a circulação de livros, e esse ciclo é liga das principais engrenagens do processo civilizatório. “A liberdade é uma livraria”, ensinou o poeta espanhol Joan Margarit.

A oferta de livros deve ser livre. A demanda também. O conteúdo, sem dúvida, só será de qualidade se produzido isento de sombra censora, escrito sem medo de pensar.

Livros são e devem permanecer sempre livres em todos os aspectos, inclusive nos preços.

Assim como é feito com a maioria dos produtos confeccionados sob livre iniciativa, quem deve calcular e estabelecer o preço de venda de um livro é a empresa que o oferta ao mercado, no nosso caso a editora, que investiu na produção e assumirá os riscos da publicação. No Brasil, a cadeia produtiva dos livros não é tranquila nem voa em céu de brigadeiro, mas é capaz de equilibrar oferta, demanda e preços, sempre fez, funciona.

Como a prática insiste em interferir nas teorias, o mercado editorial apresenta um calcanhar de Aquiles que desafia o pensamento econômico. Longe do senso comum que acredita ser a digitalização do mundo, ou os baixos índices de leitura, nosso ponto mais fraco hoje é exposto por um estratagema antigo, utilizado por varejistas generalistas, e que sufoca nossos pontos de venda especializados. O livro está sendo usado como isca de baixo investimento para pesca e cativação de clientes qualificados. Quem compra e lê livros já venceu ou vai vencer na vida e, nesse sentido, é o peixe que todo varejista deseja em seu aquário.

A minhoca parece suculenta, você é livre para escolher, um forte desconto aparece naquele livro novo, que você já decidiu comprar, porém ainda não escolheu onde. A tentação é grande, o frete é grátis e o anzol é certo. A linha vai te levar diretamente à base de dados de um varejista generalista que almeja vender muito mais do que livros. O esforço dele é conquistar esse leitor e conduzi-lo ao outro lado da tabela de preços, onde mora a margem de lucro.

É uma tática inteligente e agrada consumidores que deduzem que tudo o que varejista faz é para favorecê-lo, melhor atendê-lo e os preços serão sempre favoráveis por ali. Não é ilegal, os descontos são livres. Mas essa tática tem um efeito colateral sério.

Livrarias são varejistas especializados, o faturamento advém preponderantemente da venda de livros. Se tentarem acompanhar os fortes descontos que varejistas generalistas concedem para os livros recém-lançados, marcarão encontro com as bancas de advogados que organizam as recuperações judiciais, como vimos em série, recentemente.

Cada vez que uma livraria fecha ou é reduzida, alguém deixa de descobrir um livro e isso é sempre uma perda para toda a sociedade. Se meu espaço fosse ilimitado eu detalharia como isso forçará até os varejistas a trocarem de isca, lá no dia em que todos nós estivermos lendo menos. Grandes magazines não querem ser livrarias, é muito trabalho para pouco dinheiro.

A principal virtude da livraria consiste em ser um comércio e um aparelho cultural ao mesmo tempo, um negócio gerido com arte e matemática. Mesmo que não venda um só livro num dia ruim, a livraria oferta valor para os que visitam, eleva o bairro e a cidade, traz cultura ao povo. Como escaparmos da armadilha e, ao mesmo tempo, mantermos nossa liberdade econômica?

Cada qual a seu modo, Japão, Espanha, Argentina, Itália, México, França, Alemanha, Inglaterra, Coréia do Sul, Portugal e diversos outros, chegaram à mesma fórmula sofisticada e que deu conta de equalizar o mercado, evitando distorções artificiais, sem ferir a liberdade de preços e a livre iniciativa, rejeitando regulação. É uma solução já antiga, alguns países aplicam com sucesso faz mais de meio século, comprovadamente eficaz para uma disfunção mercadológica recorrente no mundo dos livros.

As editoras determinam livremente os preços e podem modificá-los a qualquer tempo, inexiste tabelamento ou o Estado intervindo no preço do produto. É vedada a concessão de descontos exagerados (acima de 10%) apenas em livros recém-lançados. Depois de um ano, os descontos são liberados. A breve restrição é um lampejo, alcança somente 6% dos livros à venda, mas, com efeito, ilumina a alma das livrarias, que passam a vender o “pão quente” em igualdade de condições, concorrendo em um mercado livre e sobrevivendo para ofertar e difundir todo o restante da produção literária mundial, que vale pouco como isca, mas que exprime todo o conhecimento existente no mundo civilizado e precisa ser semeada.

Estudos sólidos comprovam que esse sistema, no médio prazo, estimula a redução dos preços sugeridos pelas editoras, já que passam a ser menos pressionadas por descontos e deixam de reagir prevendo preços majorados para cobrirem seus custos de produção. Os preços médios entre livrarias e varejistas generalistas findam convergindo numa linha inferior aos patamares anteriores.

O mercado editorial brasileiro adapta, assimila, negocia e burila esse sistema faz mais de vinte anos, equilibrando preservação do livre mercado e justa vedação às práticas destrutivas anticoncorrenciais. Nosso Congresso Nacional decidirá em breve se seguiremos buscando o caminho de uma nação leitora, com livros e livrarias livres.

Viva o livro, viva a liberdade, viva a livraria!

Diego Drumond é vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro, diretor da Associação Brasileira de Difusão do Livro, sócio da Faro Editorial e da Drummond Livraria.

Câmara Brasileira do Livro revela autores e obras selecionados; o público também já pode conferir a lista de jurados  

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou a aguardada lista dos 10 semifinalistas para cada categoria do Prêmio Jabuti em sua 66ª edição. Todas as informações já podem ser acessadas no site oficial da premiação (https://www.premiojabuti.com.br/jabuti). No dia 5 de novembro, às 12h, serão revelados os cinco finalistas de cada categoria, enquanto os vencedores de todas as 22 categorias – que abrangem os eixos de Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação – e o Livro do Ano serão conhecidos na cerimônia de premiação, marcada para o dia 19 de novembro de 2024, no Auditório Ibirapuera, em um evento exclusivo para convidados.

Com um total de 4.170 obras inscritas, a edição deste ano contou com a nova categoria Escritor Estreante - Poesia, no Eixo Inovação, destinada a autores que publicaram seu primeiro livro em língua portuguesa no Brasil, no período entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2023. E, no Eixo Não Ficção, foram incluídas três novas categorias: Saúde e Bem-Estar, Educação e Negócios. 

Cada vencedor receberá a tradicional estatueta do Jabuti e um prêmio de R$ 5 mil, com exceção da categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior. As editoras vencedoras também serão agraciadas com uma estatueta. Já o ganhador do cobiçado Livro do Ano será premiado com R$ 70 mil, além de passagens e hospedagem para participar da Feira do Livro de Frankfurt, um dos maiores eventos literários do mundo.

Sevani Matos, presidente da CBL, ressalta a importância da realização de mais uma etapa da premiação: “Seguimos celebrando e valorizando a riqueza da nossa literatura nacional. Cada fase do Prêmio Jabuti é motivo de grande comemoração, pois nos permite destacar e reconhecer o talento dos nossos escritores.”

Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti, reforça: “A chegada a esta etapa do Prêmio Jabuti 2024 reafirma o compromisso da Câmara Brasileira do Livro com a literatura e a produção editorial. Há 66 anos o Jabuti reconhece e promove obras que marcam a cultura brasileira.”  

Um destaque adicional vai para a editora vencedora da categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior, que, além de receber a estatueta, caso seja filiada ao Projeto Brazilian Publishers, será contemplada com uma Bolsa de Apoio à Tradução, no valor de R$5 mil, oferecida pela CBL. Este montante deverá ser utilizado para traduzir uma nova obra de seu catálogo, em língua portuguesa, para qualquer outro idioma.  

A cerimônia de premiação poderá ser acompanhada ao vivo pelo canal da CBL no YouTube. 

Hoje, 15 de outubro, um passo importante foi dado pela Comissão de Educação e Cultura (CE) com a aprovação do PLS 49/2015, também conhecido como Lei Cortez, que estabelece regras para a comercialização e a difusão do livro, com o intuito de valorizar toda a cadeia do livro, desde leitores, autores, editoras e livrarias, fomentar a produção intelectual nacional e a facilitação ao acesso da cultura impressa e digital no país, além de permitir maior bibliodiversidade. 

O substitutivo aprovado deverá ser apreciado novamente, em turno suplementar por ser um projeto terminativo. Ou seja, terá um novo prazo para emendas ao substitutivo. Caso sejam apresentadas, serão apreciadas e votadas. 

Após a votação em turno suplementar, poderá ir à votação do plenário se houver recurso, do contrário, será encaminhada para análise da Câmara dos Deputados. 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL), em conjunto com a Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Associação Brasileira de Editores de Livros e Conteúdos Educacionais (ABRELIVROS), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), tem trabalhado nesse movimento com diálogos constantes com deputados e senadores. Essas conversas foram essenciais para ressaltar os desafios enfrentados pelo setor, como o fechamento de livrarias e a necessidade urgente de proteger a diversidade editorial no Brasil. 

Esses esforços culminaram, inclusive, na entrega de uma carta ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Na carta, as entidades destacaram o impacto positivo que a aprovação desta lei terá para a criação de um ambiente de concorrência justa e para a valorização de toda a cadeia produtiva do livro, desde leitores e autores até editoras e livrarias.  
 
A Lei Cortez é crucial para fortalecer as livrarias, que enfrentam inúmeros desafios, e promover a bibliodiversidade, elemento essencial para a pluralidade cultural e para o desenvolvimento intelectual do país. 

A Câmara Brasileira do Livro segue confiante de que a lei seja aprovada e sancionada, consolidando essa importante conquista. Acreditamos que, com a implementação da Lei Cortez, o Brasil estará mais próximo de um futuro no qual a leitura, o conhecimento e a diversidade de pensamento sejam acessíveis a todos. 

Entre os dias 16 e 20 de outubro, a 76ª edição da Feira do Livro de Frankfurt reúne uma delegação de 28 empresas brasileiras participantes do Brazilian Publishers — uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Além das empresas do projeto, outras dez editoras estarão na feira por meio do programa CreativeSP, da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo e da InvestSP.

A participação brasileira em Frankfurt terá a participação das seguintes editoras: Biblioteca do Exército - BIBLIEx, Ciranda Cultural, Bom Bom Books & CEDIC International, The Ruth Rocha Project, UNESP, Faro Editorial, Global Editora, Globo Editora, Editora do Brasil, Todolivro, Aboio, UNICAMP Press, Supersônica Livros, Devir, Aleph, Grupo Online Editora, Mil Caramiolas, IndieVisível Press, Jaguatirica, Callis, VR Editora, Editora Eureka Infantil, Editora SENAC São Paulo, Grupo Editorial Alta Books, Telos Editora, Pergunta Fixar Editora, Girassol e EDUSP.

Além dos representantes das editoras, a comitiva contará com a presença de Sevani Matos, presidente da CBL, e Fernanda Gomes Garcia, diretora executiva da entidade. Os vice-presidentes Diego Drumond e Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti, também estarão presentes. A equipe será complementada por Rayanna Pereira, coordenadora de relações internacionais, e Ana Claudia Cleto Paiva, analista de relações internacionais.

Um dos destaques da participação brasileira será na mesa "From Climate Science to Climate Action". Este painel, alinhado aos objetivos da ONU para a ação climática, contará com Sevani Matos, que abordará o papel do setor editorial. EJ Hurst, líder em Sustentabilidade da New Society Publishers, compartilhará iniciativas para reduzir o impacto ambiental da indústria. Arne Molfenter, do Centro de Informação Regional da ONU para a Europa Ocidental, e o Professor Ralf Seppelt, do Helmholtz Centre for Environmental Research, também participarão, discutindo como as editoras podem contribuir para a causa climática.

Outro destaque é o lançamento da nova edição do Catálogo de Livros e Direitos Autorais. O catálogo inclui as categorias Infantil e Juvenil, Acadêmico e Religioso, e Ficção e Não Ficção, reafirmando a diversidade e a riqueza da produção editorial do Brasil. Produzido pelo Brazilian Publishers, o material será disponibilizado no formato digital e bilíngue. Além das sinopses, o catálogo reunirá o registro de ISBN de cada obra, facilitando a verificação de vendas de direitos em outros países.

Estande do Brasil

A programação também inclui a tradicional Caipirinha Hour, uma parceria com a MVB e a InvestSP, que acontece no dia 17 de outubro, às 16h30. O evento, que conta com música ao vivo e a culinária típica alemã, é uma oportunidade de networking descontraído entre profissionais do setor editorial de todo o mundo.

"Estamos extremamente orgulhosos de registrar um número recorde de empresas brasileiras na Feira deste ano, o que reforça o crescente reconhecimento da qualidade da nossa produção editorial no cenário internacional. A participação de Fabrício Corsaletti, vencedor do Prêmio Jabuti, também é motivo de celebração, elevando ainda mais a visibilidade da literatura brasileira no exterior", destacou Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro.

“O lançamento do Catálogo de Livros e Direitos Autorais na Feira do Livro de Frankfurt representa uma grande oportunidade para as editoras brasileiras. Com a participação de 41 empresas, estamos ansiosos para que essas obras ganhem visibilidade internacional, gerando novas oportunidades de negócios e parcerias em um dos maiores eventos do setor editorial”, destacou Rayanna Pereira, que também é a coordenadora do projeto Brazilian Publishers.

Edição anterior

Em 2023, a participação brasileira na Feira do Livro de Frankfurt gerou mais de US$ 1,32 milhão em novos negócios, entre acordos fechados e expectativas para os próximos 12 meses, para as 24 empresas brasileiras participantes. A expectativa para este ano é ainda maior, com as editoras brasileiras buscando expandir suas parcerias e oportunidades no mercado editorial global.

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