Setor editorial debate reforma tributária, valorização do livro e tendências do mercado no primeiro dia do 5º EELDG

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14 de maio de 2026

Setor editorial debate reforma tributária, valorização do livro e tendências do mercado no primeiro dia do 5º EELDG

Evento da Câmara Brasileira do Livro reúne lideranças das entidades do livro para discutir os impactos da LC 224, o futuro da cadeia editorial e o lançamento do Fundo Patrimonial para Valorização do Livro

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) realiza até 15 de maio a 5ª edição do Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos (EELDG). Serão três dias de debates sobre os rumos do setor editorial brasileiro, com especialistas nacionais e internacionais no Casa Grande Hotel Resort & Spa, no Guarujá (SP). Nesta quarta-feira, 13, a primeira mesa abordou a Reforma Tributária, colocando em pauta um dos temas mais urgentes para o mercado editorial brasileiro: os impactos da Lei Complementar (LC) 224 sobre a cadeia do livro. Presidentes e diretores de sete das principais entidades do setor alertaram para o aumento de custos desde abril deste ano, quando passou a ser cobrado o PIS/Cofins sobre livros.

A mediadora Fernanda Garcia, diretora-executiva da CBL, conduziu a mesa com Sevani Matos (CBL), Ângelo Xavier (Abrelivros), João Scortecci (Abigraf SP), Lizandra Magon (Libre), Patricia Amorim (ABDL), Marcus Teles (ANL) e Cristiane de Mütus (SNEL). Sevani Matos, presidente da CBL, ressaltou que o setor já opera com margens estreitas e que a nova cobrança levou entidades a tomarem medidas cabíveis. “É importante essa união do setor. Já trabalhamos com uma margem muito espremida, e a alíquota cobrada desde abril é grande, por isso entramos com mandados de segurança no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas os números dos primeiros quatro meses do ano mostram um início promissor: 3 milhões de pessoas compraram pelo menos um livro no último ano e registramos 2% a mais de livros vendidos. Temos muito a defender e muito a comemorar”, afirma.

Patricia Amorim, da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), destacou o impacto sobre as importações de livros infantis fabricados na China e alertou que a pressão sobre as editoras chegará inevitavelmente ao consumidor final. Ângelo Xavier, da Abrelivros, ressaltou que "Nenhuma editora se planejou para esse novo imposto, que até então não incidia sobre o setor editorial. É uma notícia negativa num momento em que o setor precisa trazer de volta os leitores". Cristiane de Mütus, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), orientou as editoras a se prepararem para 2027, quando entrará em vigor um modelo linear de tributação. Já Marcus Teles, da Associação Nacional de Livrarias (ANL), recomendou que as associadas paguem, mas avaliem o risco jurídico enquanto aguardam as decisões dos mandados impetrados pelas entidades. Ângelo Xavier acrescentou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) registrou um gap de R$ 1,5 bilhão no orçamento do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e que 2026 também será um ano de pressão orçamentária, com dotação semelhante à do ano anterior.

A segunda mesa tratou das tendências que moldam o futuro do livro e contou com Daniel Lameira, fundador da Editora Seiva, e Rejane Dias, fundadora e gestora do Grupo Autêntica. A mediação foi de Talita Facchini. Os participantes discutiram as principais transformações em curso no mercado editorial, com destaque para o papel das comunidades digitais, das newsletters e das redes sociais na construção de audiências. "O certo é pensarmos em um orçamento não só para fazer o livro, mas para divulgá-lo. É preciso desenvolver maneiras próprias de se relacionar com o leitor e mudar as expectativas em relação aos números. É mais prazeroso trabalhar um livro a longo prazo, e as plataformas ajudam muito nisso", afirmou Rejane Dias. Lameira destacou que a Seiva tem obtido resultados consistentes por meio de comunidades e que ter uma marca com identidade clara junto ao público leitor é essencial para as vendas, ainda que represente um custo adicional. Ele também abordou as múltiplas possibilidades abertas pelo digital, incluindo novos canais de vendas e formatos de comunicação.

A mesa "Movimento de Valorização do Livro e Lançamento do Fundo Patrimonial" teve as presenças de Carolina Riedel, diretora de marketing e vendas do Grupo Editorial Pensamento; Daniel Pinsky, sócio-diretor da Editora Contexto e fundador da Editora Labrador; Diego Drumond, vice-presidente financeiro da CBL e sócio da Faro Editorial e da Drummond Livraria; e Sevani Matos. Eles apresentaram a campanha "Meu Livro, Meu Estilo", desenvolvida em parceria com a agência Almap, com o objetivo de ampliar o universo de leitores e fazer com que mais pessoas se sintam acolhidas pelo livro. Diego Drumond, coordenador da comissão, apresentou os detalhes do Fundo Patrimonial para a Valorização do Livro, uma estrutura de endowment com aporte inicial de R$ 15 milhões da CBL, aberta a doações externas. "O fundo recebe um aporte inicial da CBL, mas está aberto a doações de qualquer interessado. A rentabilidade dos investimentos é integralmente destinada ao trabalho da comissão", disse Drumond.

Zeina Latif, consultora econômica e sócia da Gibraltar Consulting, apresentou uma análise do ambiente político e macroeconômico brasileiro e seus desdobramentos para o setor. Ela ressaltou a importância da continuidade das reformas estruturais, citando como exemplos a Reforma da Previdência e a Reforma Tributária. "O Brasil não pode perder oportunidades de fazer reformas, nem a capacidade de dialogar. Qualquer candidato que sentar na cadeira da presidência precisará ter essa capacidade", destacou. Latif avaliou que, desde 2016, o Brasil retomou o caminho das reformas, muitas vezes iniciadas por um governo e concluídas pelo seguinte, e que essa ideia de continuidade transmite uma mensagem positiva ao mercado. Para a consultora, ainda que a reforma do IVA tenha saído aquém do esperado, ela representa um passo relevante para modernizar o modelo tributário atual.

Na palestra "Liderança, saúde mental e diversidade: cultura como diferencial competitivo", Vanessa Reis, diretora-executiva do Great Place To Work, abordou os desafios de diversidade e inclusão nas empresas e a importância de engajar lideranças nessa agenda. Ela destacou que empresas que investem em diversidade de gênero registram aumento de 16% em indicadores de desempenho. "Você pode copiar tecnologia, processos e produto, mas cultura é vivida e experimentada por cada indivíduo da companhia. Quando você quer se diferenciar no mercado, é a sua cultura que faz isso, e se você a constrói valorizando as pessoas, vai se destacar", disse.

Para encerrar o dia, foi realizada a conversa "O livro como protagonista", com Manuela Dias. A dramaturga, autora e editora encerrou a programação em conversa mediada pelo jornalista Ruan Gabriel, repórter do jornal O Globo. Manuela refletiu sobre as diferenças entre escrever roteiros de novelas, um processo coletivo, e escrever livros, que pode também não ser solitário quando se conta com a contribuição de pares e amigos. Ela revelou planos de lançar livros e uma peça teatral, além do sonho de adaptar “Ilíada”, de Homero, para séries. Manuela também manifestou o desejo de liderar uma campanha de incentivo à leitura como prática de bem-estar. "Ler seis minutos de forma contínua reduz o nível de cortisol em 16%. Um mundo onde as pessoas leem mais é um mundo com mais empatia, menos cortisol e mais memória", afirmou. Ao final da conversa, a CBL homenageou a escritora e presenteou-a com a adesão de sua editora à entidade.

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