Trincheira tropical, de Ruy Castro, vence o Livro do Ano do 68º Prêmio Jabuti

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27 de outubro de 2026

Trincheira tropical, de Ruy Castro, vence o Livro do Ano do 68º Prêmio Jabuti

Pedro Pacífico, do Bookster, vence a nova categoria Cultura Digital; cerimônia na Sala São Paulo homenageia Lygia Bojunga nos 50 anos de A Bolsa Amarela

O Prêmio Jabuti anunciou nesta terça-feira (27), na Sala São Paulo, os vencedores de sua 68ª edição. Promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a premiação concedeu o Livro do Ano de 2026 a Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, de Ruy Castro, publicado pela Companhia das Letras.

Na obra o escritor reconstitui o Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, mostrando como os acontecimentos na Europa repercutiram na vida da cidade. O livro, que também venceu o Jabuti de melhor livro de Biografia e Reportagem, acompanha as disputas políticas sob a ditadura de Getúlio Vargas e a mobilização pela entrada do Brasil na guerra, combinando pesquisa histórica e narrativa do cotidiano carioca.

Além da estatueta especial, Ruy Castro recebe R$ 70 mil e uma viagem para participar, em 2027, de uma das quatro feiras internacionais previstas no regulamento: Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara. A premiação inclui passagem, hospedagem, diárias, credencial e agenda de divulgação da obra.

A lista completa dos vencedores está disponível no site.

Estreia de Cultura Digital

Pedro Pacífico, responsável pelo canal Bookster, venceu a nova categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital e recebeu a estatueta das mãos do jogador Gustavo Scarpa, que também tem mobilizado leitores ao compartilhar suas leituras nas redes sociais. Criada para reconhecer pessoas e iniciativas que promovem o livro e a formação de leitores nos ambientes digitais, a categoria valoriza a qualidade dos conteúdos, o engajamento e o impacto cultural de sua atuação.

Conhecido por conversar com o público sobre literatura, Pedro Pacífico mantém o Bookster como um espaço de recomendações, entrevistas e troca de experiências entre leitores.

A categoria recebeu 402 indicações válidas. Um colegiado de 12 jurados definiu os dez semifinalistas, que seguiram para votação popular, da qual saíram os cinco finalistas.

Nas outras 22 categorias, o Jabuti recebeu 4.675 inscrições de obras e projetos. A premiação está distribuída em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Além das estatuetas, os vencedores recebem R$ 5 mil por categoria.

As obras premiadas serão promovidas pela CBL em eventos nacionais e internacionais, incluindo bienais e feiras do livro. A iniciativa busca ampliar sua circulação e aproximá-las de leitores e profissionais de outros mercados.

“O Jabuti reconhece o trabalho de autores, editoras e profissionais que fazem o livro chegar ao leitor. Celebrar os vencedores é também dar visibilidade à riqueza da produção brasileira e criar oportunidades para que essas obras circulem dentro e fora do país”, afirma Sevani Matos, presidente da CBL.

“A estreia de Cultura Digital reconhece o trabalho de quem conquista leitores e cria comunidades em torno dos livros. Também ampliamos a disputa pelo Livro do Ano para incluir os vencedores das categorias de escritores estreantes em Poesia e Romance. São mudanças que abrem espaço a novas trajetórias e ampliam o alcance do prêmio”, destaca Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti.

A cerimônia foi apresentada pelos jornalistas Michelle Loreto e Fabrício Battaglini e contou com apresentação musical da SP Chamber Orchestra (SPCO) conduzida pela maestrina Giovanna Elias, fundadora, diretora artística e regente titular.

Lygia Bojunga, Personalidade Literária de 2026

A noite também homenageou Lygia Bojunga, escolhida como Personalidade Literária da 68ª edição. O reconhecimento coincide com os 50 anos de A Bolsa Amarela, uma de suas obras mais conhecidas, que acompanha a menina Raquel e sua descoberta da escrita como espaço de imaginação e liberdade.

Nascida em Pelotas (RS), em 1932, Lygia estreou na literatura em 1972 com Os Colegas. Em livros como Angélica, Corda Bamba e A Bolsa Amarela, construiu uma obra marcada pela liberdade de imaginação e pela escuta dos conflitos e desejos da infância.

Reconhecida no Brasil e no exterior, recebeu o Hans Christian Andersen, em 1982, e o Astrid Lindgren Memorial Award, em 2004, duas das principais distinções internacionais da literatura para crianças e jovens.

Lygia enviou uma mensagem de agradecimento e uma carta escrita à mão, na qual definiu a homenagem como um incentivo: “Que belo incentivo este!”. Ninfa Parreiras a representou na cerimônia.

Sobre Ruy Castro

Ruy Castro nasceu em Caratinga (MG), em 1948, e iniciou sua carreira jornalística em 1967. É autor de biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, além de livros sobre a bossa nova e a história cultural do Rio de Janeiro. Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2022, recebeu distinções como o Prêmio Machado de Assis e o Jabuti.

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