Dia Mundial do Livro: ler é um compromisso com o futuro

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23 de abril de 2026

Dia Mundial do Livro: ler é um compromisso com o futuro

Por Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro

 

No Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, celebramos mais do que um objeto cultural: afirmamos um compromisso estratégico com o futuro do país. Não há projeto de desenvolvimento sustentável, redução de desigualdades ou fortalecimento democrático que prescinda do livro e da formação de leitores.

No Brasil, o desafio é transformar esse compromisso em ação contínua. Ampliar o acesso ao livro, valorizar quem cria, produz, edita e faz o livro circular e consolidar a formação de leitores como política permanente são condições para que esse projeto se sustente e produza resultados concretos.

Esse esforço já apresenta sinais positivos. A mais recente edição da pesquisa Panorama do Consumo de Livros no Brasil, realizada pela CBL, aponta uma retomada do hábito de leitura no país, com crescimento no número de leitores e de compradores de livros. Trata-se de um dado relevante, que indica que, apesar dos desafios, há bases concretas para avançar. Cabe agora ao poder público, à iniciativa privada e à sociedade transformar esse movimento em uma tendência consistente e duradoura.
Nesse contexto, a defesa dos direitos autorais é indissociável do fortalecimento do livro e da leitura. Garantir a remuneração justa de autores, tradutores e demais profissionais do setor é assegurar que a criação continue existindo, diversa e sustentável. Os direitos autorais não são um obstáculo ao acesso, mas sim uma condição para que ele se amplie com qualidade, ética e continuidade. Proteger a propriedade intelectual é proteger a cultura, a bibliodiversidade e o futuro da produção editorial no país.

Campanhas de valorização do livro cumprem hoje um papel ainda mais estratégico. Em um ambiente marcado pela dispersão da atenção, pela competição com múltiplas formas de entretenimento e pelo impacto das redes sociais na formação de hábitos, é necessário recolocar o livro no cotidiano das pessoas de forma ativa e intencional. Iniciativas como a campanha Meu Livro, Meu Estilo ajudam a aproximar a leitura do cotidiano, dialogando com diferentes públicos e reafirmando que ler não é um privilégio de poucos, nem um hábito de nicho. Ler é expressão de identidade, de repertório, de liberdade e de pertencimento. Quando convidamos pessoas a reconhecer o livro como parte do seu estilo de vida, abrimos portas para novas experiências leitoras e para o fortalecimento de uma cultura em que a palavra escrita circula, inspira e transforma.

Também é fundamental valorizar e apoiar a realização de feiras e eventos literários, que renovam o encontro entre autores, editoras, livrarias, escolas, bibliotecas e leitores. Esses espaços fazem o livro ganhar as ruas, ampliam o acesso, estimulam descobertas e fortalecem economias criativas locais. Em setembro, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo será mais uma grande oportunidade de celebrar a diversidade, formar novos públicos e demonstrar, na prática, que o livro continua sendo um bem cultural vivo, atual e necessário.

Se há um eixo verdadeiramente estratégico para o país, ele começa na infância. A valorização do livro infantil e juvenil em casa, na escola, nas bibliotecas e nos programas públicos é um investimento de longo prazo que impacta aprendizagem, imaginação, pensamento crítico e desenvolvimento socioemocional. Formar leitores desde cedo significa garantir acesso a obras de qualidade, a mediadores bem preparados e a ambientes que favoreçam o vínculo afetivo com os livros. É assim que se constroem trajetórias, com histórias que acolhem, desafiam, ampliam horizontes e ensinam a ler o mundo. É nesse ponto que se decide, de forma silenciosa e duradoura, o futuro educacional, cultural e produtivo do país.

Nada disso se sustenta sem a criação e a consolidação de políticas públicas consistentes, continuadas e pactuadas com a sociedade. É indispensável fortalecer bibliotecas públicas e escolares, garantir compras transparentes e planejadas para acervos, promover programas de leitura e escrita, apoiar a formação de professores e mediadores e assegurar condições para que o livro chegue a todos os territórios, especialmente onde a oferta cultural é mais escassa. Políticas bem desenhadas transformam a leitura em política de Estado, não em ação episódica.

Neste Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, a CBL reafirma seu compromisso com o fortalecimento do livro e da leitura no Brasil. Ampliar o acesso e proteger os direitos autorais são agendas indissociáveis para um ecossistema editorial forte, diverso e sustentável. Ler não é acessório: é condição para que o país avance com mais equidade, liberdade e desenvolvimento.

 

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