Esquenta Jabuti no Centro Cultural FIESP reúne autores, livros e leitores

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Aline Bei e Jeferson Tenório participam, no dia 23 de outubro, da série de bate-papos “Esquenta Jabuti 2026”, gratuitos e abertos ao público

 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Centro Cultural FIESP realizam o “Esquenta Jabuti 2026”, série de encontros que aproxima o público de autores, obras e ideias que fazem parte da história e do presente do Prêmio Jabuti. Em formato de bate-papo, o evento, que será realizado na próxima sexta-feira, 23 de outubro, funciona como aquecimento para a cerimônia do 68º Prêmio Jabuti, marcada para 27 de outubro, na capital paulista.

O encontro, mediado pelo jornalista Rodrigo Casarin, contará com as participações dos escritores Aline Bei e Jeferson Tenório. O bate-papo será seguido de sessão de autógrafos.

Criado em 1958, o Jabuti tornou-se uma das principais referências no segmento do livro brasileiro. O prêmio reconhece escritores, ilustradores, tradutores, pesquisadores e profissionais que contribuem para a diversidade e a qualidade da produção editorial do país. A cerimônia da 68ª edição acontece em 27 de outubro, na Sala São Paulo, e vai revelar os premiados das 23 categorias e o Livro do Ano. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

A curadoria do Prêmio Jabuti é assinada por Hubert Alquéres. Com mais de 40 anos de atuação nas áreas de cultura e educação, ele tem uma longa trajetória ligada ao mais importante prêmio do livro brasileiro. Durante seis anos, coordenou a Comissão do Prêmio Jabuti na CBL. Foi presidente da Imprensa Oficial de São Paulo (2003–2011) e, como editor, conquistou 27 estatuetas do Jabuti em trabalhos com autores como Ferreira Gullar e Antonio Candido.

De acordo com Hubert, a proposta é levar a história do Jabuti para além da cerimônia de premiação. “Os livros serão o ponto de partida para conversas sobre literatura, cultura e questões do nosso tempo, com espaço para o contato direto entre autores e leitores. O projeto se desenvolve em dois momentos. Antes da cerimônia, será realizado um encontro na área externa do Centro Cultural FIESP. Depois da premiação, o Teatro do SESI-SP receberá alguns dos grandes premiados da edição para uma conversa aberta ao público. Mais do que divulgar uma premiação, a iniciativa busca fazer do Jabuti uma plataforma de encontro entre livros, autores e leitores, ampliando sua conexão com uma nova geração”, afirma.

Para Sevani Matos, presidente da CBL, “o Jabuti é muito mais do que uma noite de premiação. Com o Esquenta, a CBL abre as portas para que o público conviva com os autores, converse sobre suas obras e descubra, no livro, um espaço de encontro e reflexão sobre o nosso tempo”.

“Receber o 'Esquenta Jabuti' no Centro Cultural FIESP reforça o compromisso do SESI-SP com a democratização do acesso à cultura e com o incentivo à leitura. É uma honra sermos a casa de encontros que aproximam grandes autores da sociedade, fortalecendo a literatura nacional e formando novas gerações de leitores”, afirma Anna Helena Polistchuk, analista de Atividades Culturais do Centro Cultural FIESP.

Sobre os autores

Aline Bei
Nascida em São Paulo, em 1987, é formada em Letras pela PUC-SP e em Artes Cênicas pelo Célia Helena Centro de Artes e Educação, além de ser pós-graduada em Escritas Performáticas pela PUC-Rio. Autora dos romances O peso do pássaro morto, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura (2017) e do Prêmio Toca; Pequena coreografia do adeus, finalista do Jabuti (2022); e Uma delicada coleção de ausências (2025). Toda a sua obra é publicada pela Companhia das Letras.

Jeferson Tenório
Nascido no Rio de Janeiro e radicado em Porto Alegre desde o início da década de 1990, é doutor em Teoria Literária pela PUC-RS e foi professor visitante na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Estreou com o romance O beijo na parede (2013), eleito Livro do Ano pela Associação Gaúcha de Escritores, prêmio que também recebeu por Estela sem Deus (2018). Publicou ainda O avesso da pele (2020), vencedor do Jabuti e finalista do Prêmio Oceanos, e De onde eles vêm (2024), finalista do Jabuti. Tem textos traduzidos para outros países, e é autor de contos e crônicas publicados em veículos como Zero Hora, UOL e Folha de São Paulo.

Rodrigo Casarin
Rodrigo Casarin é jornalista e edita a Página Cinco, coluna no UOL, newsletter e podcast sobre livros e literatura. Venceu o Prêmio IPL de Incentivo à Leitura na categoria Mídia. É autor de A Biblioteca no Fim do Túnel: um leitor em seu tempo (Arquipélago). Cursa mestrado em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana na USP.

Nesta edição, o Prêmio Jabuti conta com apresentação do Itaú Unibanco, patrocínio master do Skeelo, patrocínio do Mercado Livre e apoio institucional da TecHub e da Gráfica Santa Marta.

Autora de A Bolsa Amarela, que completa 50 anos, será homenageada na 68ª edição do prêmio, em cerimônia no dia 27 de outubro, na Sala São Paulo

 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anuncia Lygia Bojunga como Personalidade Literária da 68ª edição do Prêmio Jabuti. A escolha reconhece uma trajetória singular na literatura brasileira e uma obra que marcou a formação de leitores e conquistou projeção internacional.

Lygia ajudou a transformar a literatura para crianças e jovens no Brasil ao construir uma obra que nunca subestimou seus leitores. Em seus livros, imaginação e invenção literária convivem com conflitos, medos, descobertas e questões complexas da experiência humana. Essa combinação fez suas histórias ultrapassarem fronteiras de idade e de tempo.

A homenagem ganha um significado adicional em 2026, ano em que A Bolsa Amarela, uma de suas obras mais conhecidas, completa seu cinquentenário.

“Lygia Bojunga mudou a maneira como a literatura brasileira olha para a infância. Seus livros confiam na inteligência, na imaginação e na sensibilidade de crianças e jovens para lidar com questões complexas. Homenageá-la nos 50 anos de A Bolsa Amarela é celebrar uma obra que permanece viva e continua conquistando leitores”, afirma Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti.

Trajetória

Nascida em Pelotas (RS), em 1932, Lygia estreou na literatura em 1972, com Os Colegas. Sua obra inclui títulos como Angélica, A Bolsa Amarela, A Casa da Madrinha, Corda Bamba, O Sofá Estampado, Tchau, Fazendo Ana Paz e Seis Vezes Lucas, entre outros.

A relação da autora com o Jabuti acompanha sua própria trajetória. Os Colegas, seu primeiro livro, foi premiado em 1973. Vinte anos depois, Lygia voltou a ser reconhecida, por Fazendo Ana Paz (1993), e conquistou a terceira estatueta em 1997, por Seis Vezes Lucas.

O reconhecimento ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em 1982, ela se tornou a primeira escritora de fora do eixo Europa-Estados Unidos a receber o Hans Christian Andersen Award, concedido pelo International Board on Books for Young People (IBBY), uma das principais distinções mundiais da literatura para crianças e jovens. Em 2004, recebeu na Suécia o Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), outro dos mais importantes prêmios internacionais da área.

Em 2002, ela criou a Casa Lygia Bojunga, editora inaugurada com Retratos de Carolina, pela qual passou a publicar sua obra. Mais tarde, fundou a Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga, ampliando sua atuação em torno do livro, da leitura e da formação de novos leitores.

Para Sevani Matos, presidente da CBL, a escolha traduz o sentido da homenagem concedida pelo Jabuti. “Reconhecer Lygia Bojunga como Personalidade Literária é celebrar uma autora que ocupa um lugar único na cultura brasileira. Sua liberdade de criação e seu compromisso com a literatura fazem dessa homenagem um reconhecimento à força e à originalidade de sua obra”, afirma.

Sensibilizada com a homenagem, Lygia enviou à CBL uma carta manuscrita e uma mensagem gravada. “Que belo incentivo este!”, escreveu a autora em seu agradecimento.

A homenagem a Lygia Bojunga será um dos momentos da cerimônia da 68ª edição do Prêmio Jabuti, no dia 27 de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista. Na ocasião, serão conhecidos os vencedores das 23 categorias e o Livro do Ano. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro no YouTube.

Mestres de cerimônias

Michelle Loreto e Fabrício Battaglini serão os mestres de cerimônias da 68ª edição do Prêmio Jabuti. Os jornalistas foram curadores do Espaço Saúde e Bem-Estar na recente Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Michelle Loreto é jornalista e tem 25 anos de carreira. Trabalhou por 20 anos na TV Globo, onde atuou em telejornais e integrou a equipe do Bem-Estar. Atualmente, produz conteúdo sobre saúde, qualidade de vida e maternidade e atua como palestrante, mediadora e mestre de cerimônia. Também foi jurada da categoria Saúde e Bem-Estar do Prêmio Jabuti.

Fabrício Battaglini é jornalista, formado pela Faculdade Cásper Líbero. Na TV Globo desde 2001, ganhou projeção como repórter e apresentador do Mais Você. Também atua como mediador, palestrante e mestre de cerimônia, com foco em comportamento, saúde e bem-estar.

Nesta edição, o Prêmio Jabuti conta com Apresentação do Itáu Unibanco, patrocínio Master do Skeelo, patrocínio do Mercado Livre e Apoio Institucional da TecHub e Gráfica Santa Marta.

Vencedores serão conhecidos em 27 de outubro, na Sala São Paulo. 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anuncia, nesta quarta-feira (14/10), os cinco finalistas de cada uma das 23 categorias da 68ª edição do Prêmio Jabuti. A lista estará disponível no site do Prêmio Jabuti.

Entre os nomes anunciados estão também os cinco finalistas da nova categoria Incentivo à Leitura - Cultura Digital. Nesta edição, o Jabuti recebeu 4.675 obras e projetos inscritos em 22 categorias, enquanto a nova categoria reuniu 402 concorrentes válidos indicados pelo público. Depois da avaliação dos jurados, que definiu dez semifinalistas, coube ao público escolher os cinco que chegam à final. A categoria foi criada para reconhecer iniciativas que utilizam os ambientes digitais para aproximar livros e leitores e contribuir para a formação de comunidades leitoras.

“Um prêmio com 68 edições só permanece relevante se souber preservar sua história sem ficar prisioneiro dela. Os finalistas deste ano mostram isso: temos autores estreantes ao lado de trajetórias consolidadas, diferentes gêneros e campos do conhecimento e, pela primeira vez, uma categoria que reconhece quem forma leitores também nos ambientes digitais. O Jabuti continua reconhecendo a excelência do livro brasileiro e, ao mesmo tempo, acompanha as transformações na maneira como os livros circulam e chegam aos leitores”, afirma Hubert Alquéres, curador do Prêmio Jabuti.

Para Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro, a seleção dos finalistas evidencia a diversidade da produção editorial brasileira. “O Jabuti chega à sua 68ª edição cumprindo uma de suas principais funções: reconhecer o trabalho de autores, ilustradores, tradutores, editores e tantos outros profissionais que fazem o livro chegar aos leitores. Parabenizo todos os finalistas e todos aqueles que participaram desta edição.”

Livro do Ano

A edição de 2026 também traz mudanças na disputa pelo Livro do Ano, principal distinção do Prêmio Jabuti. Pela primeira vez, os vencedores das categorias Escritor Estreante - Poesia e Escritor Estreante - Romance passam a concorrer ao prêmio, ampliando a possibilidade de reconhecimento também para autores em início de trajetória.

Além da estatueta e do prêmio de R$ 70 mil, o vencedor do Livro do Ano poderá escolher participar de uma das quatro grandes feiras internacionais do livro - Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara. As despesas serão custeadas pela CBL, e a participação contará com uma programação de palestras e encontros profissionais durante o evento.

Os vencedores de cada uma das 23 categorias receberão a estatueta do Jabuti e um prêmio de R$ 5 mil.

Cerimônia na Sala São Paulo

Os vencedores serão conhecidos em 27 de outubro, durante a cerimônia da 68ª edição do Prêmio Jabuti, na Sala São Paulo, na capital paulista. A noite contará também com uma homenagem a Lygia Bojunga, Personalidade Literária desta edição. O evento será exclusivo para convidados e terá transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube. Na cerimônia serão anunciados os vencedores das categorias distribuídas nos quatro eixos - Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação - e o Livro do Ano.

Nesta edição, o Prêmio Jabuti conta com Apresentação do Itáu Unibanco, patrocínio Master do Skeelo, patrocínio do Mercado Livre e Apoio Institucional da TecHub e Gráfica Santa Marta.

As inscrições estão abertas para a 40ª Feira do Livro de Guadalajara, que ocorrerá entre os dias 30 de novembro e 02 de dezembro de 2026. A participação será realizada no estande físico do Brazilian Publishers, projeto da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com o apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

As vagas para o estande são limitadas e a participação é destinada às empresas apoiadas pelo Brazilian Publishers que estejam em dia com as obrigações do projeto. A seleção respeitará a ordem e o horário de chegada das solicitações enviadas.

O prazo final para inscrições é dia 30 de outubro de 2026, ou até que todas as vagas sejam preenchidas.

Para mais informações e para solicitar o formulário de inscrição, entre em contato pelo e-mail anaclaudia@cbl.org.br.

Inscreva-se e amplie sua presença no mercado editorial internacional!

Por meio do Brazilian Publishers, participação brasileira reúne 25 empresas e conta com sessões de negócios, debates sobre clássicos nacionais e agenda voltada à literatura infantojuvenil

O Brasil participará da 78ª Feira do Livro de Frankfurt por meio do Brazilian Publishers, projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado em parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com o apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A participação brasileira tem expectativa de negócios de US$ 8,1 milhões. O evento será realizado de 7 a 11 de outubro de 2026, no centro de exposições Messe Frankfurt, na Alemanha.

A comitiva da CBL acompanhará as ações do projeto durante a feira. A delegação é formada por Sevani Matos, presidente da CBL; Diego Drumond, vice-presidente administrativo e financeiro; Hubert Alquéres, vice-presidente de operações e curador do Prêmio Jabuti; Luciano Monteiro, vice-presidente de comunicação e sustentabilidade; Fernanda Garcia, diretora-executiva; Karine Pansa, diretora; Lis Ribeiro, gerente de comunicação; Rayanna Pereira, coordenadora de relações internacionais; e Ana Claudia Paiva, analista da área. Pela ApexBrasil, participa Floriano Pesaro, diretor de gestão corporativa e  Renata Machado gestora do projeto Brazilian Publishers.

Entre as empresas confirmadas estão: Ateliê da Escrita, BIBLIEX, Bom Bom Books - CEDIC International, Callis, Ciranda Cultural, Clube de Autores, Companhia das Letras, EDUSP, Eureka, Faro Editorial, Fósforo, Gente, Girassol Brasil, Globo Livros, Lisboa, Mágico de Oz, Mil Caramiolas, Pallas, Pinard, Pop Stories, Rua do Sabão, SENAC SP, Todolivro, UNESP, Universo dos Livros e Zarabatana Books, representando diferentes segmentos da produção editorial brasileira.

A programação do estande do Brasil inclui atividades voltadas à geração de negócios e à promoção da literatura brasileira. Entre as ações dirigidas ao mercado estão previstas sessões de matchmaking e o tradicional Caipirinha Hour, voltado ao networking e ao intercâmbio cultural com profissionais de diferentes mercados.

A agenda cultural inclui mesas e bate-papos sobre a história e a internacionalização da literatura brasileira, com reflexões a partir da obra de Luiz Gama e debates sobre os desafios de traduzir “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, para o inglês e o alemão.

A programação também inclui o Salão Literário Infantojuvenil Brasil-Alemanha (i-Lit). O espaço promoverá bate-papos, oficinas criativas e sessões de contação de histórias, reunindo autoras brasileiras para debater o papel da família nas narrativas e abordar temas como a ocupação da Amazônia, diversidade cultural, direitos humanos e preservação ambiental.

A delegação brasileira também marcará presença no Latam Stage, com participações confirmadas nos painéis "Literary Awards in Brazil: Celebrating Excellence and Building Visibility", com Adriane Freitag e Hubert Alquéres discutindo a importância dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura. sob a mediação de Guilherme Sobota, e "Taking Brazilian Literature to the World: Brazil’s Internationalization Programs", com Sevani Matos, Antônio Floriano Pereira Pesaro e Miriam Gabbai no qual abordarão os esforços de internacionalização da literatura brasileira, com destaque especial para o projeto Brazilian Publishers. A moderação deste debate ficará a cargo de Talita Facchini.

“A Feira de Frankfurt é o ponto de encontro central do mercado editorial mundial. Estar presente em sua 78ª edição reforça nosso compromisso em manter a literatura brasileira em destaque contínuo, abrindo caminhos para exportações de direitos e para a construção de novas parcerias globais”, destaca Sevani Matos, presidente da CBL.

“A programação deste ano reflete a amplitude e a relevância temática do nosso mercado: passamos da reflexão sobre clássicos e grandes tradutores à valorização da literatura infantojuvenil e de pautas fundamentais como diversidade e direitos humanos. É uma vitrine completa do talento brasileiro”, acrescenta Rayanna Pereira, coordenadora de relações internacionais.

Saiba mais sobre o Brazilian Publishers.

Público poderá votar, de 29 de setembro a 9 de outubro, nos dez semifinalistas da nova categoria voltada a criadores de conteúdo

 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulga os dez semifinalistas de cada categoria da 68ª edição do Prêmio Jabuti. A lista completa e os nomes dos jurados já estão disponíveis no site da premiação. O público também poderá votar a partir de hoje nos dez semifinalistas de Incentivo à Leitura - Cultura Digital, nova categoria criada para reconhecer iniciativas que utilizam as plataformas digitais para valorizar o livro e estimular a leitura. A votação segue até 9 de outubro, às 12h. Os cinco finalistas serão anunciados em 14 de outubro.

Os premiados das 23 categorias, distribuídas nos quatro eixos, Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação, além do Livro do Ano, serão conhecidos em 27 de outubro de 2026, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Jabuti, na Sala São Paulo, na capital paulista, em evento exclusivo para convidados.

A edição de 2026 conta com 4.675 obras e projetos inscritos. A lista completa dos semifinalistas, os nomes dos jurados e todas as informações oficiais sobre a premiação estão disponíveis no site do Prêmio Jabuti.

A presidente da CBL, Sevani Matos, destaca a importância desta etapa: "Chegar à etapa dos semifinalistas é um momento importante do Prêmio Jabuti, porque dá visibilidade ao trabalho de autores, ilustradores, editores e demais profissionais envolvidos na criação e circulação dos livros. A cada edição, o prêmio reafirma a diversidade e a qualidade da produção brasileira e a importância do livro e da leitura para a sociedade."

Para o curador do Prêmio Jabuti, Hubert Alquéres, a nova categoria responde a uma mudança na forma como as pessoas chegam aos livros: "A nova categoria reconhece uma transformação importante na relação entre livros e leitores. As plataformas digitais se tornaram espaços de descoberta, recomendação e formação de comunidades de leitura. Para avaliar essa atuação, reunimos um colegiado de formações e experiências diversas, que observará a qualidade da mediação, o engajamento, o impacto cultural e a diversidade de obras, autores e públicos."

O 68º Prêmio Jabuti também traz uma mudança importante na disputa pelo Livro do Ano, principal distinção da premiação. A partir desta edição, obras inscritas nas categorias Escritor Estreante – Poesia e Escritor Estreante – Romance passam a concorrer ao título.

Além da estatueta e do prêmio de R$ 70 mil, o vencedor do Livro do Ano poderá escolher participar de uma das principais feiras internacionais do livro (Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara), com despesas custeadas pela CBL e uma programação de palestras e encontros profissionais durante o evento.

Os vencedores de cada uma das 23 categorias receberão a estatueta do Jabuti e um prêmio de R$ 5 mil.

Como funciona a avaliação da categoria “Incentivo à Leitura – Cultura Digital”

A avaliação foi realizada em duas etapas, com o objetivo de garantir uma análise aprofundada das diferentes formas de atuação dos inscritos no ambiente digital e ampliar a diversidade de olhares. Na primeira fase, os 12 jurados foram distribuídos, por sorteio, em quatro colegiados de três integrantes, preservando-se o equilíbrio de gênero e a diversidade de experiências e campos de atuação. Os colegiados avaliaram os indicados de forma independente e selecionaram 13 perfis cada.

Na segunda etapa, cada jurado analisou as 39 iniciativas selecionadas pelos outros três colegiados. Dessa forma, as iniciativas que avançaram na primeira fase passaram, ao longo das duas etapas, pela análise dos 12 jurados. A consolidação das avaliações definiu os dez semifinalistas, que seguem para a votação popular.

Na votação popular, cada pessoa poderá votar uma única vez. Votos múltiplos, irregulares ou identificados como suspeitos poderão ser desconsiderados pela organização. Os cinco mais votados serão os finalistas da categoria, anunciados em 14 de outubro.

Nesta edição, o Prêmio Jabuti conta com os patrocínios do Itaú Unibanco, Mercado Livre e Skeelo. A premiação também tem apoio institucional da TecHub e da Gráfica Santa Marta.

Semifinalistas e júri serão divulgados em 29 de setembro; finalistas serão conhecidos em 14 de outubro e vencedores em 27 de outubro

 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anuncia o calendário das próximas etapas da 68ª edição do Prêmio Jabuti. No dia 29 de setembro, às 12h, serão divulgados os 10 semifinalistas de cada categoria. No mesmo dia, serão conhecidos os integrantes dos júris, mantidos em sigilo durante o período de avaliação.

Já no dia 14 de outubro, também às 12h, serão conhecidos os 5 finalistas de cada categoria. O anúncio dos vencedores acontece em 27 de outubro de 2026, durante a cerimônia de entrega do Prêmio, que será realizada na Sala São Paulo, na capital paulista, em evento exclusivo para convidados.

A 68ª edição conta com 23 categorias e estreia “Incentivo à Leitura – Cultura Digital”, criada para reconhecer criadores de conteúdo que utilizam as plataformas digitais para valorizar o livro, incentivar a leitura e aproximar livros e leitores. Os dez semifinalistas seguem para votação popular, aberta em 29 de setembro até 09 de outubro.

“A divulgação dos semifinalistas marca um dos momentos mais importantes do Jabuti: é quando começamos a apresentar ao público o resultado de meses de leitura e avaliação. Neste ano, damos ainda um passo novo ao convidar os leitores a participar da escolha dos finalistas de Cultura Digital”, afirma o curador do Prêmio Jabuti, Hubert Alquéres.

Outras novidades 

Também há mudanças no Livro do Ano, principal distinção do Prêmio Jabuti, que terá seu vencedor anunciado durante a cerimônia. A partir desta edição, obras inscritas nas categorias Escritor Estreante – Poesia e Escritor Estreante – Romance também passam a concorrer ao título.

Além da estatueta e do prêmio de R$ 70 mil, o vencedor do Livro do Ano poderá escolher participar de uma das principais feiras internacionais do livro, Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara, com as despesas custeadas pela CBL e uma programação de palestras e encontros profissionais durante o evento.

Todas as informações oficiais sobre o 68º Prêmio Jabuti estão disponíveis no site www.premiojabuti.com.br.

Por Sevani Matos

Completar 80 anos é mais do que celebrar uma trajetória. É reconhecer a capacidade de uma instituição de acompanhar as transformações do país, enfrentar diferentes desafios e renovar sua atuação sem perder de vista seus princípios. Ao chegar a oito décadas de existência, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) reafirma seu compromisso com o desenvolvimento do setor editorial e livreiro e com o fortalecimento do livro e da leitura como instrumentos de educação, cultura, conhecimento e cidadania.

Fundada em 1946, a CBL nasceu em um Brasil muito diferente do atual. De lá para cá, o país mudou profundamente, assim como os hábitos de leitura, os modelos de negócios, as tecnologias e as formas de produzir, distribuir e acessar livros. O próprio mercado editorial se transformou e passou a conviver com novos formatos, plataformas e possibilidades de circulação.

O Brasil mudou, o setor mudou e a CBL também mudou. É justamente essa capacidade de se renovar, sem perder de vista sua missão, que permitiu à entidade construir uma trajetória de oito décadas e permanecer relevante diante de cada novo cenário.

Representar o setor do livro, hoje, significa compreender sua diversidade, aproximar seus diferentes segmentos, produzir e disseminar conhecimento, defender políticas públicas e criar oportunidades para o desenvolvimento do mercado brasileiro. Significa também reconhecer que editoras, livrarias, distribuidoras, gráficas, autores, agentes literários, bibliotecas e todos os profissionais envolvidos na produção e na circulação do livro fazem parte de uma mesma cadeia, cujo fortalecimento depende da atuação conjunta.

Quando um desses segmentos avança, todo o setor se beneficia. Por isso, fortalecer o ecossistema do livro é uma responsabilidade que exige diálogo, articulação e construção coletiva.

Ao longo dessas oito décadas, a CBL ampliou sua atuação para responder às transformações do setor e também para ajudar a impulsioná-las. A gestão da Agência Brasileira do ISBN e, mais recentemente, da Agência Brasileira do ISNI, colocou a entidade no centro de um processo que vai muito além da representação institucional. Hoje, somos parte da estrutura técnica que contribui para a identificação, o reconhecimento e a proteção de autores, obras e criadores brasileiros. São serviços que conferem mais organização, segurança e visibilidade à produção editorial e intelectual do país.

Conhecer o setor também é uma forma de fortalecê-lo. Em um mercado em constante transformação, dados e pesquisas são fundamentais para compreender o comportamento dos leitores, identificar tendências, orientar decisões e contribuir para a formulação de políticas públicas. Por isso, estudos sobre o mercado editorial, a produção, as vendas e os hábitos de leitura ocupam um espaço estratégico na atuação da CBL.

Mas o papel da CBL não se limita às questões de mercado. A defesa do livro como instrumento de educação, cultura, ciência e cidadania está no centro de nossa atuação. Fortalecer o mercado do livro e ampliar o acesso à leitura não são agendas distintas. São partes de um mesmo compromisso.

Participar do debate sobre políticas públicas, contribuir para o aprimoramento dos programas de aquisição de livros e defender investimentos consistentes em leitura são compromissos que fazem parte da história da entidade e permanecem absolutamente atuais.

Precisamos avançar, especialmente, na construção e no fortalecimento de políticas de Estado para o livro e a leitura. Em um país de dimensões continentais e ainda marcado por desigualdades no acesso à educação e à cultura, precisamos de políticas que tenham continuidade, escala e capacidade de produzir resultados de longo prazo.

Formar leitores exige planejamento, investimento e articulação entre poder público e sociedade civil. Exige fortalecer bibliotecas, apoiar escolas e mediadores de leitura, ampliar o acesso ao livro e garantir que ele esteja cada vez mais presente na vida dos brasileiros.

Nesse caminho, o fortalecimento do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) é fundamental. Mais do que um conjunto de ações, precisamos consolidá-lo como uma política de Estado capaz de articular diferentes esferas do poder público e a sociedade civil em torno de objetivos permanentes para o livro e a leitura.

Não há projeto de desenvolvimento de um país que possa prescindir da formação de leitores. O livro contribui para ampliar repertórios, estimular o pensamento crítico, produzir conhecimento e fortalecer a cidadania. Garantir o acesso a ele é, portanto, investir no presente e no futuro do Brasil.

Outro campo que ganhou relevância nos últimos anos é a internacionalização do livro brasileiro. Levar nossos autores e nossa produção editorial para outros países significa ampliar mercados, gerar novas oportunidades para o setor e, ao mesmo tempo, fortalecer a presença da cultura brasileira no mundo.

A participação em feiras internacionais, missões comerciais, programas de tradução e outras iniciativas de promoção do livro brasileiro tem contribuído para aproximar autores e editoras nacionais de novos leitores e mercados. Internacionalizar o livro é também ampliar a presença do Brasil no mundo por meio de sua produção cultural e intelectual.

Também estamos diante de uma transformação tecnológica sem precedentes. A inteligência artificial já começa a modificar processos de criação, edição, produção e distribuição de conteúdo. Esse movimento exige atenção, diálogo e responsabilidade, mas também disposição para compreender as oportunidades e participar da construção dos caminhos que definirão essa nova etapa.

Temos de discutir seus impactos sobre o setor, especialmente em temas como direitos autorais, remuneração dos criadores, uso de conteúdos e proteção da propriedade intelectual. Ao mesmo tempo, precisamos compreender as possibilidades que essas novas ferramentas podem oferecer para o desenvolvimento do mercado e para a ampliação do acesso ao conhecimento.

Inovar não significa abandonar o que nos trouxe até aqui. Pelo contrário. Em um momento de excesso de informação e de consumo cada vez mais rápido de conteúdos, o livro mantém sua capacidade de formar leitores, ampliar repertórios, estimular o pensamento crítico e produzir conhecimento. Independentemente do formato em que chega ao leitor, seu valor permanece.

É por isso que celebrar 80 anos também significa reafirmar princípios. A CBL tem o compromisso de valorizar o livro, a leitura e todos os profissionais que participam de sua produção e circulação; defender a liberdade de expressão e a diversidade da produção editorial; fortalecer livrarias e bibliotecas; ampliar o acesso ao livro; e contribuir para a construção de políticas públicas capazes de fazer da leitura uma prática cada vez mais presente na vida dos brasileiros.

Os próximos anos trarão novos desafios. O setor precisará lidar com as transformações tecnológicas, novos modelos de negócio, mudanças nos hábitos dos leitores, sustentabilidade econômica, direitos autorais e internacionalização. Ao mesmo tempo, teremos de enfrentar questões que permanecem atuais, como a formação de leitores, o acesso ao livro e o fortalecimento das políticas públicas.

A experiência de oito décadas nos ensina que nenhum desses desafios será enfrentado de forma isolada. O diálogo entre os diferentes segmentos do setor, a aproximação com o poder público e a construção de parcerias com instituições públicas e privadas são fundamentais para encontrar soluções, transformar demandas em avanços concretos e construir um ambiente mais favorável ao desenvolvimento do livro no Brasil.

Chegar aos 80 anos, portanto, é olhar para a história com orgulho, mas também com responsabilidade. A CBL construiu uma trajetória sólida porque soube acompanhar seu tempo, adaptar-se às mudanças e, ao mesmo tempo, preservar sua missão.

É esse equilíbrio que queremos manter: valorizar o que foi construído, enfrentar os desafios do presente e preparar o setor para o futuro. Oitenta anos depois, a missão permanece, mas os caminhos se renovam.

A CBL entra em sua próxima etapa com a experiência de quem conhece sua história e com a disposição de construir o que ainda está por vir. Porque o futuro do livro no Brasil também se constrói agora, com mais leitores, mais acesso, mais diversidade, mais inovação e um setor cada vez mais preparado para os desafios do futuro.

Sevani Matos é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)


Os dados sobre consumo e a Bienal de São Paulo revelam novos caminhos da leitura

Por Sevani Matos e Hubert Alqueres

Uma das imagens mais marcantes da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi a de milhares de jovens fazendo fila para encontrar escritores. Esperaram horas, acompanharam conversas, pediram autógrafos, encontraram amigos que conheciam das redes sociais. Muitos chegaram com malas vazias e saíram com elas cheias de livros. A cena ganha ainda mais significado quando confrontada com um dado preocupante: a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que o país perdeu 6,7 milhões de leitores entre 2019 e 2024 e que, pela primeira vez na série histórica, os não leitores passaram a representar a maioria da população.

Não há contradição entre essas duas fotografias. Há um fenômeno que precisamos compreender melhor. Os dados mais recentes do Panorama do Consumo de Livros, pesquisa da Câmara Brasileira do Livro realizada pela Nielsen BookData, mostram que cerca de três milhões de brasileiros passaram a integrar o universo dos consumidores de livros em 2025, com o maior crescimento entre os mais jovens: somadas, as faixas de 18 a 34 anos avançaram 3,4 pontos percentuais. É preciso, naturalmente, distinguir as pesquisas. Comprar um livro não significa necessariamente lê-lo, assim como ser leitor não implica ter comprado os livros que se lê. Mas, quando colocamos esses dados ao lado do que aconteceu durante os dez dias da Bienal, surge uma questão importante: se o Brasil enfrenta uma redução do número de leitores, o que podemos aprender com os jovens que estão se aproximando dos livros e demonstrando tamanho envolvimento com autores, histórias e comunidades de leitura?

A Bienal oferece algumas pistas. Terminou com 760 mil visitantes, o maior público de sua história, e teve cinco dos dez dias com ingressos esgotados. Mais importante do que a dimensão dos números, porém, foi observar o comportamento desse público. Jovens ocuparam os espaços de programação, transformaram encontros com escritores em acontecimentos e demonstraram uma relação com os livros que não corresponde à imagem tantas vezes repetida de uma geração que teria abandonado a leitura. O que vimos convida a olhar menos para essa oposição e mais para os caminhos pelos quais os livros estão sendo descobertos.

Durante muito tempo estabelecemos uma separação quase automática entre telas e livros. De um lado estariam TikTok, Instagram, YouTube, games e outras formas de entretenimento digital; do outro, a leitura. O crescimento de um significaria necessariamente o enfraquecimento do outro. Os dados mostram uma realidade bem mais complexa. Entre os consumidores de livros, as redes sociais estão entre os principais hábitos de lazer, ao lado da própria leitura. Mais revelador ainda: 65% acompanham algum criador de conteúdo sobre livros ou literatura nas redes sociais, com forte presença dos mais jovens.

Na Bienal, vimos a expressão presencial desse fenômeno. Autores e obras que ganharam projeção no ambiente digital mobilizaram multidões no Anhembi. Comunidades formadas nas redes se transformaram em filas, encontros, conversas e sessões de autógrafos. O ambiente digital, que tantas vezes aparece no debate educacional e cultural apenas como concorrente do livro, também pode funcionar como espaço de descoberta, recomendação e pertencimento. Em muitos casos, a tela não interrompeu o caminho para o livro. Foi parte dele.

Foi atento a essa transformação que o Prêmio Jabuti criou, em 2026, a categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital, destinada a reconhecer criadores de conteúdo que utilizam as plataformas digitais para aproximar pessoas dos livros e estimular a leitura. Durante muito tempo, quando falávamos em mediação, pensávamos principalmente em professores, bibliotecários, livreiros, críticos e famílias. Todos continuam fundamentais. A eles se juntou uma nova geração de mediadores, capaz de recomendar uma obra a milhares de pessoas, formar comunidades em torno de autores e gêneros e despertar o desejo de ler. Reconhecer esse trabalho significa compreender que o ecossistema da leitura se ampliou.

Passamos tempo demais perguntando como tirar os jovens das telas. Uma pergunta mais produtiva é como compreender e ampliar os caminhos que podem levá-los das telas aos livros. Isso não significa ignorar os problemas associados ao excesso de exposição digital nem supor que todo conteúdo sobre literatura produza leitores. Significa reconhecer que mudaram os mecanismos de descoberta, recomendação e pertencimento. Para escolas, bibliotecas, editoras e políticas de leitura, compreender essa transformação é condição para dialogar com os leitores que estão se formando.

A Bienal tornou concreta outra dimensão essencial desse processo: a escolha. Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, foram destinados R$ 20 milhões em vales-livro a estudantes e educadores. O cashback também ajudou a transformar parte do valor do ingresso em crédito para aquisição de livros. Há uma diferença enorme entre dar um livro a uma criança e permitir que ela escolha o seu livro. Percorrer estantes, olhar capas, ler sinopses, ouvir uma recomendação, conversar com amigos, desistir de um título e descobrir outro são gestos que ajudam a construir gosto, autonomia e identidade como leitor.

Formar leitores, portanto, não significa apenas ensinar a ler ou colocar bons livros à disposição. É preciso criar desejo, curiosidade, encontro e memória afetiva. Uma criança que visita a Bienal com a escola, um adolescente que espera horas para conhecer e conversar com um escritor ou alguém que compra um livro com seu próprio vale leva para casa mais do que uma obra. Leva uma experiência. A leitura é um ato intelectual e individual, mas o vínculo com os livros se constrói também por emoções, descobertas, referências e pertencimento.

Eventos literários de grande escala cumprem, nesse sentido, uma função que ultrapassa, sem negar, sua dimensão comercial. Não precisamos nos constranger porque uma feira vende livros. Livros precisam circular, editoras precisam vender, autores precisam encontrar leitores e livrarias precisam prosperar. Mas uma Bienal pode fazer muito mais: pode aproximar do livro pessoas que não frequentam regularmente livrarias, bibliotecas, clubes de leitura ou festivais literários. Formação de leitores também exige furar a bolha da leitura.

Há ainda muito a conhecer sobre esses novos leitores. O protagonismo juvenil observado na Bienal não deve ser tratado apenas como curiosidade ou fenômeno de mercado. Que livros esses jovens escolhem? Como chegam a eles? Qual é o peso dos amigos, dos algoritmos, dos criadores de conteúdo e das comunidades digitais? Como transitam entre fantasia, romance, quadrinhos, clássicos, poesia e não ficção? E, principalmente, o que faz alguém passar do primeiro livro para o segundo, o terceiro e o décimo? Se a Retratos da Leitura mostra a dimensão do problema, pesquisas sobre consumo e comportamento podem ajudar a identificar caminhos para enfrentá-lo.

A Bienal reforçou uma convicção: a leitura é um ato individual, mas a formação de leitores é profundamente coletiva. Lemos sozinhos, mas quase nunca chegamos aos livros completamente sozinhos. Um professor, um bibliotecário, um livreiro, um amigo, um escritor, uma família, um crítico ou um criador de conteúdo digital pode abrir essa porta. O desafio não é escolher entre esses mediadores, nem entre o mundo físico e o digital. É multiplicar as portas de entrada para o livro.

Os estandes já foram desmontados e os corredores do Anhembi voltaram a ficar vazios. Os números entrarão para as estatísticas do setor. Mas milhares de livros saíram dali nas mãos de seus novos leitores. Alguns serão esquecidos numa estante; outros serão lidos, emprestados, comentados e recomendados. E alguns representarão o início de uma relação que continuará por décadas.

É aí que os números já não conseguem contar toda a história. A Bienal dura dez dias. O encontro de alguém com um livro pode durar uma vida inteira.
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Sevani Matos é presidente da Câmara Brasileira do Livro

Hubert Alqueres é presidente da Academia Paulista de Educação, editor na Editora Jatobá, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro e Curador do Prêmio Jabuti.

Evento recebeu 760 mil visitantes e registrou expansão de 57% na média de faturamento dos expositores

 

SÃO PAULO, 13 de setembro de 2026 — A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo encerra neste domingo (13) a maior edição de sua história, com 760 mil visitantes ao longo de dez dias no Distrito Anhembi. O público supera as 722 mil pessoas que participaram da edição de 2024 e reforça a força da Bienal como um grande encontro entre leitores, livros e autores, consolidando o evento entre os maiores encontros literários da América Latina.

Realizada entre 4 e 13 de setembro, a edição foi marcada pela ampliação de sua estrutura e por novas propostas de visitação, especialmente voltadas ao público adulto. A Bienal 2026 contou com uma programação noturna exclusiva para esse segmento e ampliou a iniciativa de cashback. O evento ocupou 87 mil m² de área total, 28% a mais do que em 2024, com corredores mais amplos e melhorias de infraestrutura.

Do total de visitantes, mais da metade do público teve acesso gratuíto. O dado reforça o caráter amplo e democrático do evento e sua capacidade de reunir diferentes perfis de leitores.

Em pesquisa realizada com os expositores, a Bienal registrou aumento de 57% na média diária de faturamento em relação a 2024, reforçando a importância do evento na esfera econômica, ampliando a venda de livros, a visibilidade das marcas, o relacionamento com os leitores e a geração de negócios para o setor.

“Esta edição histórica mostra a força da Bienal como um grande encontro cultural e também como um importante motor para toda a cadeia do livro. Receber 760 mil visitantes, com uma presença tão expressiva de jovens e famílias, e registrar uma forte procura pelos livros mostra o enorme interesse pela leitura quando criamos oportunidades para esse encontro. A maior Bienal do Livro da nossa história é também uma celebração dos leitores, dos autores e de todo o setor”, afirma Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Como Convidado de Honra, a Espanha levou à Bienal o projeto “Confluências”, com um estande de 500 m², 50 autores convidados e uma programação dedicada à diversidade de sua produção literária, sob a curadoria da escritora Marta Sanz. A participação ampliou o intercâmbio cultural e editorial entre os dois países, reunindo autores, editores, profissionais do setor e leitores.

Sustentabilidade e acessibilidade

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo também ampliou seus esforços na agenda de sustentabilidade. A edição contou com a destinação adequada dos resíduos gerados, utilização de energia proveniente de fontes renováveis e maior uso de materiais recicláveis na montagem e na estrutura do evento. Além disso, foi oferecida uma operação de transporte gratuito entre o metrô e o Distrito Anhembi, contribuindo para facilitar o acesso do público e estimular o uso do transporte coletivo.

A edição contou com infraestrutura física adaptada para receber pessoas com mobilidade reduzida e iniciativas voltadas a ampliar as condições de participação de diferentes públicos na programação e nos espaços da Bienal.

Em números

- 760 mil visitantes
- 87 mil m² de área total
- 75 mil m² de área expositiva

- 269 expositores

- 800 autores, sendo 91% brasileiros

- 3,65 milhões de livros ofertados

- 57% de aumento na média de faturamento dos expositores em relação a 2024

- R$ 20 milhões em vales-livro

- +52 mil estudantes beneficiados

- +154 mil servidores da rede municipal beneficiados

- + 2 mil servidores e colaboradores da Secretaria Municipal de Cultura de SP

- 5 dias com ingressos esgotados

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo é apresentada pelo Itaú Unibanco, tem o Skeelo como patrocinador master e o patrocínio de Chambril, Chamex, Claro, Mercado Livre e Pólen, um produto Suzano. O evento conta ainda com o oferecimento da Prefeitura de São Paulo e o apoio de BIC, Colgate, Faber-Castell, Sura e TecHub.

Resultados dos expositores

A presença maciça de um público engajado refletiu-se em marcas históricas para as editoras e livrarias presentes:

Este ano, a Rocco teve faturamento 121% acima da Bienal de São Paulo e 37% acima da última edição do Rio, o que torna essa edição a maior de todos os tempos para a editora.

A Sextante e a Arqueiro encerram sua participação na Bienal do Livro de São Paulo com resultados expressivos e um crescimento de 82% em relação à edição anterior realizada na capital paulista, em 2024. Para o sócio-diretor Marcos da Veiga Pereira, os números refletem não apenas a força dos livros, mas também a conexão com o público: “Foi uma edição histórica da Bienal de São Paulo. Vimos diariamente os leitores lotando nosso estande em busca de seus livros e autores”, afirmou.

Em uma Bienal histórica, com recorde de vendas, a Intrínseca registrou um aumento de 85% no faturamento em relação à edição de 2024 realizada em São Paulo. O grande interesse dos leitores por fantasias se confirma com a presença de títulos do gênero, como “A Guerra da Papoula”, da autora sino-americana R. F. Kuang.

A edição 2026  da Bienal do livro de SP foi além das nossas expectativas para a Livraria Loyola. Foram vendidos mais de 60 mil  exemplares de livros dos mais variados  gêneros literários nos 10 dais de Bienal SP,  com destaque para literatura ficção,  jovens, jovens adultos, educação, pedagogia, filosofia, religião e teologia, infantil e mangá.

Entre os títulos que se destacaram nas vendas da Editora Mostarda na Bienal estão “Meu Pé de África”, de Marcos Cajé; “A Menina e a Toga”, de Flávia Martins de Carvalho e Micaela Prado; e “O Livro da Democracia”, de Cármen Lúcia, Mariana Oliveira e Sabichinho. Houve um crescimento de 50% nas vendas.

Com um crescimento de 32% nas vendas em relação à edição anterior, a VR Editora celebrou a melhor Bienal da sua história, impulsionada por um forte aumento de público e excelente repercussão na imprensa. O estande destacou-se pela presença massiva de autores nacionais e pelo apelo de convidados internacionais, com uma lista de destaques liderada por "Império do Vampiro", "As Palavras Não Ditas", "Diário de um Banana 1", "Uma Maldição para Samantha" e "Max Medroso".

A Companhia das Letras encerra sua participação na 28º Bienal Internacional do Livro de São Paulo com resultados que superaram todas as expectativas. Em comparação com a última edição do evento, realizada em 2024, o grupo editorial registrou um crescimento de 67% em faturamento e de 55% em volume de exemplares vendidos.

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