CBL lança Manual de Boas Práticas de IA para orientar editoras brasileiras no uso ético da inteligência artificial

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14 de mayo de 2026

CBL lança Manual de Boas Práticas de IA para orientar editoras brasileiras no uso ético da inteligência artificial

Documento estabelece diretrizes com foco na autoria humana, direitos autorais e governança.

 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) lançou, durante o 5º Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos, o Manual de Boas Práticas de Inteligência Artificial em Editoras Brasileiras, documento inédito que oferece diretrizes éticas e práticas para o setor editorial nacional diante da expansão acelerada das tecnologias de IA Generativa (GenIA). A publicação aborda o impacto da inteligência artificial nos processos editoriais e, ao mesmo tempo, traz um olhar específico para a realidade brasileira dedicando atenção especial aos desafios das pequenas e médias editoras.

A ideia de elaborar um manual surgiu na Comissão de Inovação e Tecnologia, coordenada pela Cinthya Müller, da Editora Todavia e Baião, e composta por Camila Cabete Machado, da Harper Collins; Daniel Pinsky, das Editoras Contexto e Labrador; Gerson Ramos, da Editora Planeta; José Fernando Tavares, da Booknando; Marcelo Gioia e Simei Junior, da Bookwire; Fernanda Garcia e Lis Ribeiro, da CBL.

“Este manual nasce da convicção de que a inovação precisa caminhar ao lado da responsabilidade. A inteligência artificial abre novas possibilidades para o setor editorial, mas também exige atenção à proteção dos direitos autorais, à valorização da criação humana e ao equilíbrio do mercado. Nosso objetivo é oferecer um guia que ajude as editoras brasileiras a avançarem com segurança, ética e consciência do seu papel cultural”, destaca Sevani Matos, presidente da CBL.

"A ideia do manual surgiu ao percebermos que nossas reuniões convergiam para o mesmo tema e que as dúvidas eram sempre semelhantes e complementares. Esperamos que o guia sirva como uma bússola para os editores e que ajude a desmistificar o mito de que a IA 'cria', quando na verdade ela indexa o conteúdo existente na internet, entregando-o de forma organizada", explica Cinthya Müller, coordenadora da Comissão de Inovação e Tecnologia da CBL.

Quatro capítulos, do princípio à prática

O documento está estruturado em quatro eixos: Princípios Fundamentais, como primazia humana, direitos autorais, autoria, transparência, combate a vieses e proteção de dados; Diretrizes Práticas para Casos de Uso, com orientações para geração de texto, tradução, revisão, criação de imagens e marketing; Desafios Específicos das Editoras Brasileiras; e Sugestões de Implementação, que incluem recomendações sobre liderança, planejamento, gestão de riscos, uso cotidiano e comunicação com autores, leitores e fornecedores.

O documento destaca que a produção das IAs generativas é derivada de padrões aprendidos, e não original no sentido humano, razão pela qual a autoria implica responsabilidade legal e moral que só pode ser atribuída a pessoas. Também recomenda que editoras estabeleçam contratos claros com autores e colaboradores sobre o uso de obras no treinamento de modelos.

O guia de casos de uso detalha o que é permitido, o que é obrigatório e quando é necessário informar o leitor. Na geração de texto, por exemplo, a IA pode ser utilizada para brainstorming e rascunhos, desde que haja revisão humana completa, incluindo checagem de fatos, e reescrita substancial para garantir a voz autoral. Na criação de imagens, a orientação é priorizar artistas humanos e, quando houver uso de IA, assegurar que a ferramenta opere com bases legais claras de treinamento.

O capítulo dedicado aos desafios brasileiros destaca que a maioria das IAs globais reflete perspectivas e bases de dados do chamado Norte Global, o que pode invisibilizar ou distorcer a cultura, a história e as nuances linguísticas brasileiras. Nesse contexto, o manual recomenda o incentivo ao desenvolvimento de tecnologias treinadas com dados nacionais e em português brasileiro, além de cobrar maior representatividade das culturas lusófonas por parte de fornecedores globais.

Por fim, o capítulo de Comunicação e Relacionamento orienta as editoras a adotarem transparência em todas as interações. O documento recomenda informar claramente quando o público estiver interagindo com sistemas de IA, como em atendimentos automatizados ou audiolivros com voz sintética, e criar canais acessíveis para que funcionários, leitores e autores possam reportar problemas ou usos indevidos da tecnologia. Em relação aos fornecedores, a orientação é exigir documentação completa sobre o funcionamento dos sistemas contratados.

As sugestões de implementação são fundamentadas na ABNT NBR ISO/IEC 42001, norma internacional que orienta a gestão ética e responsável da inteligência artificial em organizações.

O Manual de Boas Práticas de IA está disponível no site da CBL. Para fazer o download, acesse aqui.

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