{"id":51089,"date":"2021-12-23T00:00:00","date_gmt":"2021-12-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cbl.org.br\/2021\/12\/23\/em-2022-vote-no-livro\/"},"modified":"2022-05-26T15:37:55","modified_gmt":"2022-05-26T18:37:55","slug":"em-2022-vote-no-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cbl.org.br\/es\/2021\/12\/em-2022-vote-no-livro\/","title":{"rendered":"Em 2022, vote no livro"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Por Vitor Tavares, presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em \"Ensaio sobre a cegueira\" (1995), atrav\u00e9s de uma de suas personagens, Jos\u00e9 Saramago d\u00e1 uma pista sobre \u00e0 que falta de vis\u00e3o se refere: \"a cegueira tamb\u00e9m \u00e9 isso, viver num mundo onde se tenha acabado a esperan\u00e7a\u201d. Prestes a entrarmos no ano do centen\u00e1rio de seu nascimento, as palavras do escritor portugu\u00eas nunca foram t\u00e3o perturbadoramente atuais. Saindo de uma pandemia que mudou para sempre nossa realidade, \u00e9 em 2022 que miramos nossos melhores desejos e expectativas. Sempre com base em nossas refer\u00eancias, constru\u00eddas a partir do que lemos. Ou, infelizmente, n\u00e3o lemos. Pois Saramago est\u00e1 entre as leituras que me veem \u00e0 cabe\u00e7a quando paro para pensar neste ano que no Brasil ser\u00e1 eleitoral. Eu estou esperan\u00e7oso. Acredito no potencial do meu candidato, que \u00e9 o livro. Afinal, aos homens p\u00fablicos de qualquer esfera cabe vislumbrar uma forma de abrir caminhos. E o farol \u00e9 a literatura, o conhecimento. Quem n\u00e3o abra\u00e7a o futuro do livro tem uma vis\u00e3o m\u00edope.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque trabalho no mercado livreiro, mas sou um cabo eleitoral da leitura. \u00c9 nela que os brasileiros podem encontrar seu porto seguro. E nestes tempos dif\u00edceis, \u00e9 not\u00f3rio como o livro vem reafirmando sua import\u00e2ncia para a manuten\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o contra qualquer tipo de censura. Nessa propaganda eleitoral do meu candidato trago n\u00fameros que mostram sua for\u00e7a em 2021. Vejamos, por exemplo, o resultado da 63\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Jabuti, principal premia\u00e7\u00e3o de literatura do pa\u00eds, em novembro: foram 3,4 mil inscri\u00e7\u00f5es, 31% a mais do que no ano passado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um ano antes, em dezembro de 2020, a 1\u00aa Bienal Virtual Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo, toda em ambiente virtual por conta do coronav\u00edrus, teve 1,33 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es - o dobro do n\u00famero de pessoas que passaram pelo pavilh\u00e3o do Anhembi na edi\u00e7\u00e3o de 2018 da Bienal Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo recebeu 663 mil visitantes. Foram mais de 190 horas de programa\u00e7\u00e3o, 100 expositores, 220 autores nacionais, oito estrangeiros e 114 reuni\u00f5es de neg\u00f3cios com compradores internacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E de 2 a 10 de julho de 2022, no Expo Center Norte, o maior evento liter\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina e um dos maiores do mundo que \u00e9 a bienal\u00a0 paulista chega finalmente \u00e0 26\u00aa edi\u00e7\u00e3o oficial e presencial, ap\u00f3s o adiamento em 2020 for\u00e7ado pela pandemia. Neste ano em que Saramago estar\u00e1 sob holofotes e o Brasil comemora o Bicenten\u00e1rio de sua Independ\u00eancia, Portugal ser\u00e1 o pa\u00eds convidado do evento, recebendo uma \u00e1rea espec\u00edfica, onde ser\u00e3o realizadas atividades culturais e de neg\u00f3cios. O objetivo \u00e9 estreitar as rela\u00e7\u00f5es e promover a cultura do convidado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 de arregalar os olhos ver esse desempenho e as perspectivas que se abrem, ap\u00f3s um 2020 em que as vendas despencaram de 434 milh\u00f5es de unidades em 2019 para 354 milh\u00f5es (-18,43%). Isso levou a uma redu\u00e7\u00e3o de 8,78% no faturamento total do mercado editorial. Tamb\u00e9m houve queda de 20,5% na tiragem e de 7,8% na quantidade de t\u00edtulos em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Al\u00e9m disso, dos 46 mil t\u00edtulos editados, 76% eram reimpress\u00f5es, o que significou um tombo de 174% no n\u00famero de novos t\u00edtulos. O setor produziu 314 milh\u00f5es de exemplares no total, sendo apenas 18% de lan\u00e7amentos. Os dados s\u00e3o da pesquisa Produ\u00e7\u00e3o e vendas do setor editorial brasileiro, da Nielsen Book, com coordena\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que foi divulgada em maio. Sem falar que entre 2006 e 2020, o mercado registrou queda de 30% nas vendas, atingindo o menor patamar nesses 15 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pois a\u00a0 bandeira do livro \u00e9 a de melhorar o pa\u00eds como um todo. Afinal, segundo a 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2019-2020 - realizada pelo Instituto Pr\u00f3-Livro, em parceria com o Ita\u00fa Cultural, e aplicada pelo Ibope Intelig\u00eancia, o Brasil tem cerca de 100 milh\u00f5es de pessoas que leem, o equivalente a 52% da popula\u00e7\u00e3o. E 67% dos brasileiros n\u00e3o contaram com algu\u00e9m que incentivasse a leitura. Do total, s\u00f3 56% leram ao menos um livro, ou parte dele, nos 3 meses anteriores ao levantamento.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mudar esta realidade requer n\u00e3o apenas o esfor\u00e7o dos livreiros \u2013 e \u00e9 preciso destacar aqui o empenho deste incr\u00edvel e grande ex\u00e9rcito de Brancaleone, no melhor sentido, que n\u00e3o esmorece nunca: empreende, desenvolve novos projetos e planeja abrir filiais das insubstitu\u00edveis livrarias f\u00edsicas \u2013, mas de pol\u00edticas p\u00fablicas para incentivar novos leitores. E algumas saltam aos olhos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 preciso, por exemplo, fazer valer a Pol\u00edtica Nacional de Leitura e Escrita, institu\u00edda em 2018 como estrat\u00e9gia permanente para promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso p\u00fablico no Brasil. Segundo a lei 13.696, a PNLE deveria ser implementada pela Uni\u00e3o, por interm\u00e9dio do Minist\u00e9rio da Cultura, que j\u00e1 nem existe mais, e do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em coopera\u00e7\u00e3o com os estados, o Distrito Federal e os munic\u00edpios e com a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil e de institui\u00e7\u00f5es privadas. Mas, at\u00e9 agora, \u00e9 tudo hist\u00f3ria n\u00e3o finalizada, em nossa imagina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 as despesas em educa\u00e7\u00e3o, como o Programa Nacional do Livro e do Material Did\u00e1tico (PNLD) - e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o livro - deveriam ser efetivamente enquadradas como pol\u00edtica de Estado, e suas despesas determinadas como obrigat\u00f3rias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m preocupa o projeto de lei 3887, da reforma tribut\u00e1ria apresentada pelo Minist\u00e9rio da Economia em julho de 2020, em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional. Se aprovado, \u00e9 o fim da imunidade tribut\u00e1ria do livro, conquistada h\u00e1 quase 80 anos, pois passar\u00e1 a ser cobrada uma al\u00edquota de 12% sobre ele. Isso levar\u00e1 a um necess\u00e1rio aumento, estimado em 20% sobre o pre\u00e7o final de capa, o que vai prejudicar ainda mais o acesso \u00e0 leitura (e \u00e0 cultura, ao conhecimento, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o) justamente da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 ainda necessidades como garantir a defesa do direito autoral, impedindo, por exemplo, a concorr\u00eancia desleal de aplicativos que oferecem os chamados microbooks, com resumos dos livros, dando ao leitor um falso atalho para o conhecimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E aqui me ocorre outra obra - \"O direito \u00e0 literatura e outros ensaios\", do mestre Antonio Candido - que nos anos 1980 j\u00e1 nos mostrava como a literatura \u00e9 um direito t\u00e3o importante quanto as necessidades mais b\u00e1sicas de um ser humano. Segundo ele, para garantir o direito de todos a ela, \u00e9 preciso um acervo organizado, dispon\u00edvel e acess\u00edvel a qualquer pessoa, de todas as idades, cores, credos e orienta\u00e7\u00f5es sexuais. \u00c9 preciso tamb\u00e9m que esse acervo convide e seduza, possibilitando a forma\u00e7\u00e3o de leitoras e leitores. Portanto, olho vivo: em 2022, vote no livro. <\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Por Vitor Tavares, presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em \"Ensaio sobre a cegueira\" (1995), atrav\u00e9s de uma de suas personagens, Jos\u00e9 Saramago d\u00e1 uma pista sobre \u00e0 que falta de vis\u00e3o se refere: \"a cegueira tamb\u00e9m \u00e9 isso, viver num mundo onde se tenha acabado a esperan\u00e7a\u201d. Prestes a entrarmos no ano do centen\u00e1rio de seu nascimento, as palavras do escritor portugu\u00eas nunca foram t\u00e3o perturbadoramente atuais. Saindo de uma pandemia que mudou para sempre nossa realidade, \u00e9 em 2022 que miramos nossos melhores desejos e expectativas. Sempre com base em nossas refer\u00eancias, constru\u00eddas a partir do que lemos. Ou, infelizmente, n\u00e3o lemos. Pois Saramago est\u00e1 entre as leituras que me veem \u00e0 cabe\u00e7a quando paro para pensar neste ano que no Brasil ser\u00e1 eleitoral. Eu estou esperan\u00e7oso. Acredito no potencial do meu candidato, que \u00e9 o livro. Afinal, aos homens p\u00fablicos de qualquer esfera cabe vislumbrar uma forma de abrir caminhos. E o farol \u00e9 a literatura, o conhecimento. Quem n\u00e3o abra\u00e7a o futuro do livro tem uma vis\u00e3o m\u00edope.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque trabalho no mercado livreiro, mas sou um cabo eleitoral da leitura. \u00c9 nela que os brasileiros podem encontrar seu porto seguro. E nestes tempos dif\u00edceis, \u00e9 not\u00f3rio como o livro vem reafirmando sua import\u00e2ncia para a manuten\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o contra qualquer tipo de censura. Nessa propaganda eleitoral do meu candidato trago n\u00fameros que mostram sua for\u00e7a em 2021. Vejamos, por exemplo, o resultado da 63\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Jabuti, principal premia\u00e7\u00e3o de literatura do pa\u00eds, em novembro: foram 3,4 mil inscri\u00e7\u00f5es, 31% a mais do que no ano passado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um ano antes, em dezembro de 2020, a 1\u00aa Bienal Virtual Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo, toda em ambiente virtual por conta do coronav\u00edrus, teve 1,33 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es - o dobro do n\u00famero de pessoas que passaram pelo pavilh\u00e3o do Anhembi na edi\u00e7\u00e3o de 2018 da Bienal Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo recebeu 663 mil visitantes. Foram mais de 190 horas de programa\u00e7\u00e3o, 100 expositores, 220 autores nacionais, oito estrangeiros e 114 reuni\u00f5es de neg\u00f3cios com compradores internacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E de 2 a 10 de julho de 2022, no Expo Center Norte, o maior evento liter\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina e um dos maiores do mundo que \u00e9 a bienal\u00a0 paulista chega finalmente \u00e0 26\u00aa edi\u00e7\u00e3o oficial e presencial, ap\u00f3s o adiamento em 2020 for\u00e7ado pela pandemia. Neste ano em que Saramago estar\u00e1 sob holofotes e o Brasil comemora o Bicenten\u00e1rio de sua Independ\u00eancia, Portugal ser\u00e1 o pa\u00eds convidado do evento, recebendo uma \u00e1rea espec\u00edfica, onde ser\u00e3o realizadas atividades culturais e de neg\u00f3cios. O objetivo \u00e9 estreitar as rela\u00e7\u00f5es e promover a cultura do convidado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 de arregalar os olhos ver esse desempenho e as perspectivas que se abrem, ap\u00f3s um 2020 em que as vendas despencaram de 434 milh\u00f5es de unidades em 2019 para 354 milh\u00f5es (-18,43%). Isso levou a uma redu\u00e7\u00e3o de 8,78% no faturamento total do mercado editorial. Tamb\u00e9m houve queda de 20,5% na tiragem e de 7,8% na quantidade de t\u00edtulos em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Al\u00e9m disso, dos 46 mil t\u00edtulos editados, 76% eram reimpress\u00f5es, o que significou um tombo de 174% no n\u00famero de novos t\u00edtulos. O setor produziu 314 milh\u00f5es de exemplares no total, sendo apenas 18% de lan\u00e7amentos. Os dados s\u00e3o da pesquisa Produ\u00e7\u00e3o e vendas do setor editorial brasileiro, da Nielsen Book, com coordena\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que foi divulgada em maio. Sem falar que entre 2006 e 2020, o mercado registrou queda de 30% nas vendas, atingindo o menor patamar nesses 15 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pois a\u00a0 bandeira do livro \u00e9 a de melhorar o pa\u00eds como um todo. Afinal, segundo a 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2019-2020 - realizada pelo Instituto Pr\u00f3-Livro, em parceria com o Ita\u00fa Cultural, e aplicada pelo Ibope Intelig\u00eancia, o Brasil tem cerca de 100 milh\u00f5es de pessoas que leem, o equivalente a 52% da popula\u00e7\u00e3o. E 67% dos brasileiros n\u00e3o contaram com algu\u00e9m que incentivasse a leitura. Do total, s\u00f3 56% leram ao menos um livro, ou parte dele, nos 3 meses anteriores ao levantamento.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mudar esta realidade requer n\u00e3o apenas o esfor\u00e7o dos livreiros \u2013 e \u00e9 preciso destacar aqui o empenho deste incr\u00edvel e grande ex\u00e9rcito de Brancaleone, no melhor sentido, que n\u00e3o esmorece nunca: empreende, desenvolve novos projetos e planeja abrir filiais das insubstitu\u00edveis livrarias f\u00edsicas \u2013, mas de pol\u00edticas p\u00fablicas para incentivar novos leitores. E algumas saltam aos olhos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 preciso, por exemplo, fazer valer a Pol\u00edtica Nacional de Leitura e Escrita, institu\u00edda em 2018 como estrat\u00e9gia permanente para promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso p\u00fablico no Brasil. Segundo a lei 13.696, a PNLE deveria ser implementada pela Uni\u00e3o, por interm\u00e9dio do Minist\u00e9rio da Cultura, que j\u00e1 nem existe mais, e do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em coopera\u00e7\u00e3o com os estados, o Distrito Federal e os munic\u00edpios e com a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil e de institui\u00e7\u00f5es privadas. Mas, at\u00e9 agora, \u00e9 tudo hist\u00f3ria n\u00e3o finalizada, em nossa imagina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 as despesas em educa\u00e7\u00e3o, como o Programa Nacional do Livro e do Material Did\u00e1tico (PNLD) - e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o livro - deveriam ser efetivamente enquadradas como pol\u00edtica de Estado, e suas despesas determinadas como obrigat\u00f3rias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m preocupa o projeto de lei 3887, da reforma tribut\u00e1ria apresentada pelo Minist\u00e9rio da Economia em julho de 2020, em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional. Se aprovado, \u00e9 o fim da imunidade tribut\u00e1ria do livro, conquistada h\u00e1 quase 80 anos, pois passar\u00e1 a ser cobrada uma al\u00edquota de 12% sobre ele. Isso levar\u00e1 a um necess\u00e1rio aumento, estimado em 20% sobre o pre\u00e7o final de capa, o que vai prejudicar ainda mais o acesso \u00e0 leitura (e \u00e0 cultura, ao conhecimento, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o) justamente da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 ainda necessidades como garantir a defesa do direito autoral, impedindo, por exemplo, a concorr\u00eancia desleal de aplicativos que oferecem os chamados microbooks, com resumos dos livros, dando ao leitor um falso atalho para o conhecimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E aqui me ocorre outra obra - \"O direito \u00e0 literatura e outros ensaios\", do mestre Antonio Candido - que nos anos 1980 j\u00e1 nos mostrava como a literatura \u00e9 um direito t\u00e3o importante quanto as necessidades mais b\u00e1sicas de um ser humano. Segundo ele, para garantir o direito de todos a ela, \u00e9 preciso um acervo organizado, dispon\u00edvel e acess\u00edvel a qualquer pessoa, de todas as idades, cores, credos e orienta\u00e7\u00f5es sexuais. \u00c9 preciso tamb\u00e9m que esse acervo convide e seduza, possibilitando a forma\u00e7\u00e3o de leitoras e leitores. 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