{"id":119698,"date":"2025-11-13T13:49:10","date_gmt":"2025-11-13T16:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/cbl.org.br\/?p=119698"},"modified":"2025-11-13T13:49:10","modified_gmt":"2025-11-13T16:49:10","slug":"quando-o-livro-entra-no-clima-cultura-conhecimento-e-sustentabilidade-na-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cbl.org.br\/es\/2025\/11\/quando-o-livro-entra-no-clima-cultura-conhecimento-e-sustentabilidade-na-cop30\/","title":{"rendered":"Quando o livro entra no clima: cultura, conhecimento e sustentabilidade na COP30"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Luciano Monteiro<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os mais de 190 pa\u00edses signat\u00e1rios do Acordo de Paris, menos de 20 mencionam explicitamente cultura, patrim\u00f4nio ou conhecimento tradicional em suas metas clim\u00e1ticas nacionais. O dado, apontado pela Climate Heritage Network e alinhado \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es da UNESCO sobre a sub-representa\u00e7\u00e3o da cultura nas pol\u00edticas clim\u00e1ticas, evidencia uma lacuna simb\u00f3lica e pr\u00e1tica: ainda falta reconhecer a cultura como for\u00e7a estruturante da agenda ambiental. Afinal, n\u00e3o h\u00e1 sustentabilidade sem cultura, e n\u00e3o h\u00e1 cultura sem conhecimento.<\/p>\n<p>A COP30, que acontece neste m\u00eas em Bel\u00e9m do Par\u00e1, oferece uma oportunidade singular de reconectar essas dimens\u00f5es. Pela primeira vez, a confer\u00eancia acontece na Amaz\u00f4nia, territ\u00f3rio que sintetiza simultaneamente a urg\u00eancia clim\u00e1tica e a pot\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es baseadas em saberes locais. Enquanto governos e empresas negociam metas e financiamento, \u00e9 decisivo voltar o olhar para os setores criativos, em especial o editorial, que transforma ci\u00eancia em linguagem acess\u00edvel, preserva conhecimentos e ajuda a formar comportamentos pr\u00f3-clima.<\/p>\n<p>Mas qual \u00e9, exatamente, o papel da cultura e do setor do livro na resposta \u00e0 crise ambiental global? Em um contexto de desafios sociais e educacionais complexos, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica resposta. \u00c9 preciso trabalhar em rede, fortalecendo m\u00faltiplas estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse esp\u00edrito que se insere o painel \u201cSustentabilidade em cada p\u00e1gina: o livro como ponte entre conhecimento e clima\u201d, promovido pela C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL), em parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o de Estados Ibero-americanos (OEI), no dia 13 de novembro, no espa\u00e7o Ibero-Am\u00e9rica Viva, durante a COP30. O encontro busca discutir como a cadeia do livro, da cria\u00e7\u00e3o \u00e0 circula\u00e7\u00e3o, tem avan\u00e7ado n\u00e3o apenas em pr\u00e1ticas ambientais, mas tamb\u00e9m na compreens\u00e3o de que livro e leitura s\u00e3o essenciais para enfrentar os grandes desafios contempor\u00e2neos. Eles ampliam o acesso ao conhecimento, fortalecem o pensamento cr\u00edtico e sustentam a capacidade da sociedade de dialogar e construir solu\u00e7\u00f5es coletivas. Em um contexto de crises ambientais e sociais, o livro \u00e9 um pilar da democracia: garante diversidade de vozes, combate a desinforma\u00e7\u00e3o e promove cidadania.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a CBL vem estruturando um movimento setorial para integrar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis em toda a cadeia do livro, das distribuidoras \u00e0s livrarias, das gr\u00e1ficas aos leitores. S\u00e3o iniciativas como diretrizes para uso de papel certificado, redu\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e incentivo \u00e0 economia circular, efici\u00eancia energ\u00e9tica e compensa\u00e7\u00e3o de carbono, a\u00e7\u00f5es de diversidade e inclus\u00e3o, al\u00e9m do fortalecimento da governan\u00e7a \u00e9tica e transparente. Paralelamente, a CBL tem intensificado processos de forma\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o, acelerando rotas de baixo carbono e estimulando pr\u00e1ticas respons\u00e1veis em produ\u00e7\u00e3o, log\u00edstica e gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas estrat\u00e9gias dialogam com compromissos internacionais assumidos pelo setor, como o Pacto dos Editores pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), promovido pela International Publishers Association (IPA) em parceria com a ONU. O pacto incentiva a coopera\u00e7\u00e3o global para que editoras e entidades do livro contribuam efetivamente para a Agenda 2030. A CBL \u00e9 signat\u00e1ria e atua para disseminar esses princ\u00edpios no Brasil, aproximando o pa\u00eds do debate internacional.<\/p>\n<p>Enquanto setores industriais avan\u00e7am em m\u00e9tricas de carbono e regula\u00e7\u00e3o, o editorial refor\u00e7a seu papel simb\u00f3lico, educativo e cultural. O livro traduz a ci\u00eancia, preserva e valoriza saberes - inclusive tradicionais -, inspira compromisso social e sustenta a imagina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica necess\u00e1ria para mudan\u00e7as profundas. \u00c9 o elo entre o conhecimento t\u00e9cnico e a constru\u00e7\u00e3o de sentidos coletivos, terreno onde nasce a mudan\u00e7a cultural capaz de sustentar transforma\u00e7\u00f5es ambientais de longo prazo.<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio em que consumidores, leitores e investidores exigem coer\u00eancia, \u00e9tica e transpar\u00eancia, a sustentabilidade deixou de ser diferencial reputacional e passou a ser crit\u00e9rio de legitimidade. O leitor contempor\u00e2neo n\u00e3o espera apenas bons livros: espera que o setor editorial aja com responsabilidade e contribua para uma economia mais justa e de baixo carbono. A sociedade cobra clareza de prop\u00f3sitos e compromissos reais.<\/p>\n<p>Ao lado da OEI, a CBL prop\u00f5e na COP30 um debate que extrapola o setor: tratar a sustentabilidade como pol\u00edtica central nas agendas da cultural, educa\u00e7\u00e3o e do conhecimento. A cada livro produzido com responsabilidade, a cada a\u00e7\u00e3o que amplia o acesso \u00e0 leitura, a cada hist\u00f3ria que desperta empatia e compromisso, o livro ajuda a reescrever a narrativa da sustentabilidade no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Bel\u00e9m \u00e9 o cen\u00e1rio ideal para esse novo cap\u00edtulo. No cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, onde a urg\u00eancia ambiental encontra a pot\u00eancia cultural, o setor do livro reafirma sua fun\u00e7\u00e3o de ponte entre ci\u00eancia e sociedade. Porque o futuro do planeta depende tanto das florestas preservadas quanto das ideias que conseguimos fazer circular.<\/p>\n<p>O futuro do livro - e do clima - ser\u00e1 escrito com responsabilidade, diversidade e imagina\u00e7\u00e3o. E ele come\u00e7a agora, p\u00e1gina por p\u00e1gina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Luciano Monteiro - Vice-presidente de Comunica\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade da C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) e Diretor Global de Comunica\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade do Grupo Santillana<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luciano Monteiro &nbsp; Entre os mais de 190 pa\u00edses signat\u00e1rios do Acordo de Paris, menos de 20 mencionam explicitamente cultura, patrim\u00f4nio ou conhecimento tradicional em suas metas clim\u00e1ticas nacionais. 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