{"id":50715,"date":"2017-03-15T00:00:00","date_gmt":"2017-03-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cbl.org.br\/2017\/03\/15\/luiz-schwarcz-e-o-vencedor-do-premio-lifetime-achievement-na-feira-do-livro-de-londres\/"},"modified":"2022-05-26T15:44:03","modified_gmt":"2022-05-26T18:44:03","slug":"luiz-schwarcz-e-o-vencedor-do-premio-lifetime-achievement-na-feira-do-livro-de-londres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/2017\/03\/luiz-schwarcz-e-o-vencedor-do-premio-lifetime-achievement-na-feira-do-livro-de-londres\/","title":{"rendered":"Luiz Schwarcz \u00e9 o vencedor do pr\u00eamio Lifetime Achievement na Feira do Livro de Londres"},"content":{"rendered":"<p><em>Publishers Weekly \u2013 London Show Daily \u2013 Quarta-feira, 15 de mar\u00e7o de 2017<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma hist\u00f3ria que costuma ser contada sobre o editor Luiz Schwarcz, recentemente anunciado como vencedor do pr\u00eamio Lifetime Achievement \u00a0da London Book Fair deste ano, na categoria International Publishing, escreve \u00c1ngel Gurr\u00eda-Quintana. Em 1986, depois de deixar seu trabalho como diretor editorial da prestigiosa editora Brasiliense, ele estava determinado a fundar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio na \u00e1rea e, para isso, vendeu seu apartamento em S\u00e3o Paulo. Com sua esposa, a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, ele fundou a Companhia das Letras, e instalou a empresa na parte traseira do neg\u00f3cio de impress\u00e3o de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Schwarcz estava convencido de que os leitores brasileiros estavam prontos para livros al\u00e9m dos cl\u00e1ssicos brasileiros e dos t\u00edtulos para jovens leitores que se tornaram o arroz e feij\u00e3o da Brasiliense. Certamente, pensou, havia um mercado para a fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o de boa qualidade. Sua primeira escolha - a tradu\u00e7\u00e3o da obra <em>To the Finland Station (Rumo \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Finl\u00e2ndia)<\/em>, de Edmund Wilson - foi uma aposta. Valeu a pena, pois tornou-se um improv\u00e1vel <em>best-seller<\/em>.<\/p>\n<p>Mais de 30 anos e mais de 6.000 t\u00edtulos depois, a Companhia das Letras continua a ser o padr\u00e3o-ouro do mercado editorial brasileiro. Uma pesquisa realizada entre cr\u00edticos e estudiosos de literatura em 2010 pelo jornal de neg\u00f3cios brasileiro <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em> revelou que era considerada a melhor editora no Brasil - recebeu 81% dos votos dos entrevistados.<\/p>\n<p>Uma combina\u00e7\u00e3o de tino comercial com escolhas editoriais sagazes deu \u00e0 Companhia das Letras a maior participa\u00e7\u00e3o no mercado editorial do Brasil. A empresa suportou os altos e baixos do mercado editorial do pa\u00eds: com frequ\u00eancia impulsionada por compras governamentais, tamb\u00e9m chegou perto de se tornar uma v\u00edtima da hiperinfla\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1990 - por exemplo, a edi\u00e7\u00e3o, pela Companhia das Letras, da <em>Hist\u00f3ria da vida privada<\/em>, em v\u00e1rios volumes, j\u00e1 estava quase pronta quando pareceu que n\u00e3o haveria dinheiro suficiente para pagar a impress\u00e3o. Somente cuidadosas negocia\u00e7\u00f5es com os credores permitiram que os livros vissem a luz do dia.<\/p>\n<p>Em 2011, uma parceria estrat\u00e9gica com a Penguin permitiu \u00e0 Companhia a introduzir um amplo leque de t\u00edtulos cl\u00e1ssicos no mercado brasileiro. Sua fus\u00e3o com a carioca Objetiva, em 2015, a tornou a maior editora \u00fanica de autores brasileiros.<\/p>\n<p>Hoje, o Grupo Companhia das Letras tem 16 selos diferentes, que v\u00e3o da literatura infantil \u00e0 n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, e publica 38 ganhadores do pr\u00eamio Nobel, incluindo Toni Morrison, Doris Lessing, Jos\u00e9 Saramago, JM Coetzee e Orhan Pamuk. A Companhia tamb\u00e9m tem em seu cat\u00e1logo alguns dos mais destacados autores brasileiros de fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, tais como Chico Buarque, Rubem Fonseca e Milton Hatoum, al\u00e9m de possuir direitos sobre obras de alguns dos escritores brasileiros cl\u00e1ssicos - do poeta Carlos Drummond de Andrade ao romancista Jorge Amado. Al\u00e9m disso, a Companhia das Letras \u00e9 apoiada do Brazilian Publishers, projeto da C\u00e2mara Brasileira do Livro em parceria com a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00e3o e Investimentos (Apex-Brasil).<\/p>\n<p>Sob a lideran\u00e7a de Luiz Schwarcz, o Grupo Companhia das Letras obteve o maior n\u00famero de pr\u00eamios Jabuti - desde 1988, seus autores ganharam 206 galard\u00f5es na premia\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria mais importante do Brasil. O pr\u00f3prio Schwarcz recebeu in\u00fameros louvores no Brasil ao longo das d\u00e9cadas, incluindo o pr\u00eamio Homem de Ideias (1987) e o pr\u00eamio Faz Diferen\u00e7a (2004).<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m trabalhou para melhorar a alfabetiza\u00e7\u00e3o entre grupos desprivilegiados no Brasil. Em 2010, a Companhia das Letras foi pioneira na cria\u00e7\u00e3o de clubes de livros em parceria com bibliotecas locais e centros comunit\u00e1rios. Hoje existem pelo menos 20 desses clubes do livro, incluindo alguns em pris\u00f5es, hospitais e organiza\u00e7\u00f5es sociais para jovens desfavorecidos. \"A Companhia nunca se prop\u00f4s ser elitista\", disse Schwarcz. \"Quer\u00edamos democratizar a alta cultura, com livros que fossem acess\u00edveis a todos.\"<\/p>\n<p>Schwarcz descreve-se a si mesmo como um \u201cfetichista do livro\u201d, \u00e9 conhecido por evitar os holofotes e costuma se colocar contra o \u201cculto ao editor\u201d. Ele tem evitado fazer coment\u00e1rios abertamente pol\u00edticos, mas recentemente declarou sua oposi\u00e7\u00e3o ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Famoso por sua aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e por sua lealdade feroz a seus autores, Schwarcz tamb\u00e9m foi mentor de uma nova gera\u00e7\u00e3o de editores, a maioria dos quais come\u00e7aram na Companhia das Letras e, desde ent\u00e3o, passaram a desenvolver carreiras como editores em outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEditar livros \u00e9 sempre um ato de otimismo,\u201d escreveu Schwarcz. \u201cQuando nos comprometemos com um livro, tamb\u00e9m estamos inventando o futuro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confirma a mat\u00e9ria:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.digitalpw.com\/digitalpw\/lbf_show_daily_march_15_2017?pg=NaN#pgNaN\">http:\/\/www.digitalpw.com\/digitalpw\/lbf_show_daily_march_15_2017?pg=NaN#pgNaN<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Publishers Weekly \u2013 London Show Daily \u2013 Quarta-feira, 15 de mar\u00e7o de 2017<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma hist\u00f3ria que costuma ser contada sobre o editor Luiz Schwarcz, recentemente anunciado como vencedor do pr\u00eamio Lifetime Achievement \u00a0da London Book Fair deste ano, na categoria International Publishing, escreve \u00c1ngel Gurr\u00eda-Quintana. Em 1986, depois de deixar seu trabalho como diretor editorial da prestigiosa editora Brasiliense, ele estava determinado a fundar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio na \u00e1rea e, para isso, vendeu seu apartamento em S\u00e3o Paulo. Com sua esposa, a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, ele fundou a Companhia das Letras, e instalou a empresa na parte traseira do neg\u00f3cio de impress\u00e3o de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Schwarcz estava convencido de que os leitores brasileiros estavam prontos para livros al\u00e9m dos cl\u00e1ssicos brasileiros e dos t\u00edtulos para jovens leitores que se tornaram o arroz e feij\u00e3o da Brasiliense. Certamente, pensou, havia um mercado para a fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o de boa qualidade. Sua primeira escolha - a tradu\u00e7\u00e3o da obra <em>To the Finland Station (Rumo \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Finl\u00e2ndia)<\/em>, de Edmund Wilson - foi uma aposta. Valeu a pena, pois tornou-se um improv\u00e1vel <em>best-seller<\/em>.<\/p>\n<p>Mais de 30 anos e mais de 6.000 t\u00edtulos depois, a Companhia das Letras continua a ser o padr\u00e3o-ouro do mercado editorial brasileiro. Uma pesquisa realizada entre cr\u00edticos e estudiosos de literatura em 2010 pelo jornal de neg\u00f3cios brasileiro <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em> revelou que era considerada a melhor editora no Brasil - recebeu 81% dos votos dos entrevistados.<\/p>\n<p>Uma combina\u00e7\u00e3o de tino comercial com escolhas editoriais sagazes deu \u00e0 Companhia das Letras a maior participa\u00e7\u00e3o no mercado editorial do Brasil. A empresa suportou os altos e baixos do mercado editorial do pa\u00eds: com frequ\u00eancia impulsionada por compras governamentais, tamb\u00e9m chegou perto de se tornar uma v\u00edtima da hiperinfla\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1990 - por exemplo, a edi\u00e7\u00e3o, pela Companhia das Letras, da <em>Hist\u00f3ria da vida privada<\/em>, em v\u00e1rios volumes, j\u00e1 estava quase pronta quando pareceu que n\u00e3o haveria dinheiro suficiente para pagar a impress\u00e3o. Somente cuidadosas negocia\u00e7\u00f5es com os credores permitiram que os livros vissem a luz do dia.<\/p>\n<p>Em 2011, uma parceria estrat\u00e9gica com a Penguin permitiu \u00e0 Companhia a introduzir um amplo leque de t\u00edtulos cl\u00e1ssicos no mercado brasileiro. Sua fus\u00e3o com a carioca Objetiva, em 2015, a tornou a maior editora \u00fanica de autores brasileiros.<\/p>\n<p>Hoje, o Grupo Companhia das Letras tem 16 selos diferentes, que v\u00e3o da literatura infantil \u00e0 n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, e publica 38 ganhadores do pr\u00eamio Nobel, incluindo Toni Morrison, Doris Lessing, Jos\u00e9 Saramago, JM Coetzee e Orhan Pamuk. A Companhia tamb\u00e9m tem em seu cat\u00e1logo alguns dos mais destacados autores brasileiros de fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, tais como Chico Buarque, Rubem Fonseca e Milton Hatoum, al\u00e9m de possuir direitos sobre obras de alguns dos escritores brasileiros cl\u00e1ssicos - do poeta Carlos Drummond de Andrade ao romancista Jorge Amado. Al\u00e9m disso, a Companhia das Letras \u00e9 apoiada do Brazilian Publishers, projeto da C\u00e2mara Brasileira do Livro em parceria com a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00e3o e Investimentos (Apex-Brasil).<\/p>\n<p>Sob a lideran\u00e7a de Luiz Schwarcz, o Grupo Companhia das Letras obteve o maior n\u00famero de pr\u00eamios Jabuti - desde 1988, seus autores ganharam 206 galard\u00f5es na premia\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria mais importante do Brasil. O pr\u00f3prio Schwarcz recebeu in\u00fameros louvores no Brasil ao longo das d\u00e9cadas, incluindo o pr\u00eamio Homem de Ideias (1987) e o pr\u00eamio Faz Diferen\u00e7a (2004).<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m trabalhou para melhorar a alfabetiza\u00e7\u00e3o entre grupos desprivilegiados no Brasil. Em 2010, a Companhia das Letras foi pioneira na cria\u00e7\u00e3o de clubes de livros em parceria com bibliotecas locais e centros comunit\u00e1rios. Hoje existem pelo menos 20 desses clubes do livro, incluindo alguns em pris\u00f5es, hospitais e organiza\u00e7\u00f5es sociais para jovens desfavorecidos. \"A Companhia nunca se prop\u00f4s ser elitista\", disse Schwarcz. \"Quer\u00edamos democratizar a alta cultura, com livros que fossem acess\u00edveis a todos.\"<\/p>\n<p>Schwarcz descreve-se a si mesmo como um \u201cfetichista do livro\u201d, \u00e9 conhecido por evitar os holofotes e costuma se colocar contra o \u201cculto ao editor\u201d. Ele tem evitado fazer coment\u00e1rios abertamente pol\u00edticos, mas recentemente declarou sua oposi\u00e7\u00e3o ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Famoso por sua aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e por sua lealdade feroz a seus autores, Schwarcz tamb\u00e9m foi mentor de uma nova gera\u00e7\u00e3o de editores, a maioria dos quais come\u00e7aram na Companhia das Letras e, desde ent\u00e3o, passaram a desenvolver carreiras como editores em outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEditar livros \u00e9 sempre um ato de otimismo,\u201d escreveu Schwarcz. \u201cQuando nos comprometemos com um livro, tamb\u00e9m estamos inventando o futuro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confirma a mat\u00e9ria:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.digitalpw.com\/digitalpw\/lbf_show_daily_march_15_2017?pg=NaN#pgNaN\">http:\/\/www.digitalpw.com\/digitalpw\/lbf_show_daily_march_15_2017?pg=NaN#pgNaN<\/a><\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":46760,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-50715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50715"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51262,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50715\/revisions\/51262"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}