{"id":100451,"date":"2025-04-28T13:58:05","date_gmt":"2025-04-28T16:58:05","guid":{"rendered":"https:\/\/cbl.org.br\/?post_type=artigos&#038;p=100451"},"modified":"2025-04-28T13:58:05","modified_gmt":"2025-04-28T16:58:05","slug":"capital-mundial-do-livro-pela-cultura-e-educacao","status":"publish","type":"artigos","link":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/artigos\/capital-mundial-do-livro-pela-cultura-e-educacao\/","title":{"rendered":"Capital Mundial do Livro pela cultura e educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Ao reconhecer o Rio de Janeiro, a Unesco aponta o livro como ferramenta de cidadania, mem\u00f3ria e transforma\u00e7\u00e3o social.<\/em><\/p>\n<p>Por Hubert Alqu\u00e9res e Sevani Matos<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 23 de abril, o Rio de Janeiro foi oficialmente nomeado Capital Mundial do Livro pela Unesco, tornando-se a primeira cidade de l\u00edngua portuguesa a receber essa distin\u00e7\u00e3o. A cerim\u00f4nia de abertura, realizada no Teatro Carlos Gomes, contou com a presen\u00e7a de autoridades, representantes da Unesco e figuras proeminentes da cultura brasileira, como os escritores Ruy Castro e Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Performances art\u00edsticas de nomes como Fernanda Abreu, Toni Garrido, Greg\u00f3rio Duvivier e Elisa Lucinda, inspiradas em obras da literatura nacional, deram o tom da celebra\u00e7\u00e3o, reafirmando a riqueza, criatividade e a diversidade da nossa produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>A escolha do Rio n\u00e3o se deu por acaso. Desde o Imp\u00e9rio, quando D. Jo\u00e3o VI desembarcou de Portugal trazendo consigo a Imprensa R\u00e9gia e a Biblioteca Real \u2014 marcos fundadores da vida liter\u00e1ria e intelectual do Brasil \u2014, a cidade se afirmou como polo de uma literatura que foi decisiva para a forma\u00e7\u00e3o da identidade nacional. Escritores como Machado de Assis, Lima Barreto e Euclides da Cunha contribu\u00edram enormemente para a caracteriza\u00e7\u00e3o do Brasil como um pa\u00eds \u00edmpar que ent\u00e3o engatinhava. Nas p\u00e1ginas de suas obras projetava-se a alma de um povo com uma cultura tamb\u00e9m \u00fanica.<\/p>\n<p>O compromisso do Rio com pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 leitura, vem destes tempos. At\u00e9 hoje a cidade abriga institui\u00e7\u00f5es fundamentais para a mem\u00f3ria e o est\u00edmulo \u00e0 leitura, como o Real Gabinete Portugu\u00eas de Leitura, a Biblioteca Nacional, a Biblioteca Parque Estadual e a Academia Brasileira de Letras. S\u00e3o espa\u00e7os que guardam o passado e projetam o futuro da literatura brasileira.<\/p>\n<p>A antiga capital do pa\u00eds tamb\u00e9m se destaca pelo vigor de suas bibliotecas populares e comunit\u00e1rias, espalhadas por diversas regi\u00f5es da cidade. Esses espa\u00e7os cumprem um papel essencial na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao livro, promovendo atividades culturais, encontros com autores e a\u00e7\u00f5es de media\u00e7\u00e3o de leitura que contribuem para a forma\u00e7\u00e3o de leitores cr\u00edticos e socialmente engajados. Ao lado delas, resistem com vitalidade as livrarias cl\u00e1ssicas do Rio de Janeiro \u2014 como a Argumento, a Travessa e a Blooks \u2014, que se reinventaram como polos culturais vibrantes, pontos de encontro de intelectuais, artistas e amantes da literatura. S\u00e3o lugares que mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da cidade, reafirmando seu compromisso com a leitura e o pensamento.<\/p>\n<p>A literatura brasileira sempre foi uma forma de compreender o pa\u00eds e de question\u00e1-lo \u2014 e o Rio de Janeiro \u00e9, h\u00e1 s\u00e9culos, um dos principais palcos dessa narrativa coletiva. A nomea\u00e7\u00e3o como Capital Mundial do Livro \u00e9, portanto, um gesto simb\u00f3lico e pragm\u00e1tico: fortalece a cultura do livro, apoia o mercado editorial e estimula a forma\u00e7\u00e3o de novos leitores.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo da distin\u00e7\u00e3o, o Rio sediar\u00e1 uma s\u00e9rie de eventos liter\u00e1rios, incluindo a Bienal do Livro e uma edi\u00e7\u00e3o especial do Pr\u00eamio Jabuti, que ser\u00e1 entregue no Theatro Municipal da capital fluminense e ir\u00e1 destacar as melhores iniciativas de fomento \u00e0 leitura na cidade. Essas iniciativas visam projetar o livro e a leitura como pilares de cidadania e desenvolvimento humano. O apoio da Unesco, aliado ao esfor\u00e7o da Secretaria Municipal de Cultura, tem sido essencial nesse processo. Merece reconhecimento especial o trabalho do secret\u00e1rio Lucas Wosgrau Padilha, cuja articula\u00e7\u00e3o institucional e sensibilidade cultural t\u00eam sido decisivas para a concretiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es previstas.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que a educa\u00e7\u00e3o esteja integralmente inserida nesse movimento, como destacou o secret\u00e1rio municipal Renan Ferreirinha em entrevista \u00e0 jornalista M\u00edriam Leit\u00e3o, na Globonews. Por isso, integrar escolas e educadores ao calend\u00e1rio de atividades \u00e9 estrat\u00e9gico para ampliar o impacto das a\u00e7\u00f5es, formar leitores permanentes e gerar pertencimento entre os jovens. A literatura n\u00e3o deve ser um privil\u00e9gio, mas um direito.<br \/>\nNos palcos e nas p\u00e1ginas, estavam nomes como Machado de Assis, Guimar\u00e3es Rosa, Jorge Amado, Cec\u00edlia Meireles, Clarice Lispector, Raquel de Queiroz e M\u00e1rio de Andrade \u2014 vozes cl\u00e1ssicas que moldaram nosso imagin\u00e1rio. Mas tamb\u00e9m os novos e vigorosos talentos da literatura contempor\u00e2nea: Itamar Vieira Jr., Jefferson Ten\u00f3rio, Aline Bei, Tereza Rom\u00e3o, Fabr\u00edcio Corsaletti e Rosa Freire d\u2019Aguiar. A literatura infantil, base de tantas trajet\u00f3rias leitoras, foi representada por Monteiro Lobato, Ziraldo, Chico Buarque e Mauricio de Sousa.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro, com sua beleza e complexidade, oferece agora ao mundo uma vitrine viva da literatura brasileira. Que este ano seja marcado por uma efervesc\u00eancia liter\u00e1ria capaz de inspirar outras cidades e fortalecer a presen\u00e7a da nossa palavra no cen\u00e1rio internacional. A Capital Mundial do Livro \u00e9 tamb\u00e9m, simbolicamente, a capital de uma na\u00e7\u00e3o que precisa, mais do que nunca, redescobrir-se atrav\u00e9s da leitura.<\/p>\n<p>_________________________<br \/>\nHubert Alqu\u00e9res \u00e9 curador do Pr\u00eamio Jabuti e presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSevani Matos \u00e9 presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro.<\/p>","protected":false},"featured_media":100452,"template":"","class_list":["post-100451","artigos","type-artigos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/artigos\/100451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/artigos"}],"about":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/artigos"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100452"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cbl.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}