Um case de sucesso – Feira Pan Amazônica do Livro. Acompanhe a entrevista com Paulo Chaves Fernandes, Secretário de Cultura do Estado do Pará

Um case de sucesso – Feira Pan Amazônica do Livro. Acompanhe a entrevista com Paulo Chaves Fernandes, Secretário de Cultura do Estado do Pará

Um case de sucesso – Feira Pan Amazônica do Livro. Acompanhe a entrevista com Paulo Chaves Fernandes, Secretário de Cultura do Estado do Pará

Entrevista/ Paulo Chaves

1. Como e porque surgiu a ideia de realizar uma Feira de Livros em Belém há 21 anos?

A primeira semente nasceu na observação do cotidiano, quando a sede da Secretaria de Cultura funcionava em um prédio onde havia grande movimento de estudantes, pesquisadores, professores e o público em geral indo em busca de conhecimento na Biblioteca Artur Viana, que funcionava no mesmo edifício que abrigava também um centro cultural – Centur – e a Fundação Tancredo Neves, no governo de Almir Gabriel. Esse ir e vir me encantava muito, até porque eu era um ávido frequentador de bibliotecas. A partir daí, foi formado um grupo de trabalho com a equipe da biblioteca e fomos experimentando formatos até chegar a uma definição que retratasse nossa realidade.

2. Fale sobre a evolução da Feira Pan Amazônica do Livro, agora que ela atingiu a maioridade.

E assim se passaram 21 anos. É emocionante acompanhar essa linha tempo, lembrar do primeiro escritor homenageado, o amazonense Márcio Souza, que no ano de 1996 lançava o livro Lealdade, encabeçando o cordão de escritores brasileiros de todos os tempos A Feira do Livro do Centur, realizada em 1996, abria-se para o mundo da literatura. Naquele ano, o evento já mostrava sua cara e sua identidade. A ideia era criar mais que um espaço para comercializar livros, os idealizadores queriam fazer uma feira cultural.

Depois vieram Benedito Nunes, Max Martins, Francisco Paulo Mendes, Haroldo Maranhão, Maria Lúcia Medeiros, Eneida de Moraes, Dalcídio Jurandir (homenageado duas vezes: 2004/2009), Waldemar Henrique, Eidorfe Moreira, Vicente Sales, Antônio Tavernard, Bruno de Menezes, Dulcinéa Paraense, Wilson Fonseca, Ruy Barata, Milton Hatoum, outro amazonenses, o grande escritor paraibano, Ariano Suassuna, que trouxe para a Amazônia os temperos literário nordestinos; Amarílis Tupiassu e na versão de 2017, homenageou o poeta Mário Faustino, piauiense de nascimento, mas paraense de coração.

A Feira foi crescendo a cada ano e ganhou novos espaços para comportar essa dinâmica. Em 1997, foram apenas 66 estandes armados numa área de 2.000 metros quadrados até chegar ao Hangar Convenções e Feiras, onde ocupa um espaço de 24 mil metros quadrados de área coberta e 100% climatizadas, por onde transitam cerca de 400 mil visitantes nos dez dias em que se realiza o evento. É, indubitavelmente um dos maiores acontecimentos literários e culturais do Brasil.

Na Feira, o mercado livreiro é uma mostra de que ler é um bom negócio. E cultura, também, pois expandimos essa visão, focando não apenas no mercado, mas no intercâmbio literário, do qual participam, além de escritores locais, escritores brasileiros e internacionais.

Nesta edição de 2017, trouxemos a escritora portuguesa Dulce Maria Cardozo e José Pacheco, e os brasileiros, Alexandre Guarnieri, Antônio Cícero, Ramon Mello, Dado Villa-Lobos, Luiz Rufatto e Moraes Moreira, que veio se apresentar como inigualável cordelista.

A partir de 2001, a organização do evento passou a homenagear países em cada edição. Portugal e França foram homenageados duas vezes. A essa lista se juntaram ainda a Alemanha, Espanha, Argentina, Peru, Cuba, Japão, África, Itália e Qatar. O Pará entrou para essa lista sob a inspiração dos versos de Ruy Barata, que diz “Eu sou de um país que se chama Pará”. Nestes 21 anos de existência, a Feira Pan-Amazônica já recebeu cerca de 6,5 milhões de pessoas.

3. De que forma o evento contribui para o incentivo da leitura?

A Feira em si, como expositor do produto livro, já é uma atração, tanto que o percentual de jovens que vão ao salão do livro, alcança mais da metade dos visitantes. Na última pesquisa, em 2015, no universo de 400 mil visitantes, 30% dos frequentadores estavam na faixa de até 14 anos, e 45% eram jovens de 15 a 29 anos.

Esse é um elemento numérico, mas as ações do governo, através da Secretaria de Estado de Cultura, vão além dos estandes do Hangar Convenções e Feiras. Espacialmente, o evento rompeu a barreira física da exposição e dos seminários, contabilizando resultados positivos com outras ações desenvolvidas nas comunidades, como acontece com a rede de ensino público que, há treze anos, participa da Gincana Literária, que promove o encontro entre estudantes e escritores locais e suas obras. Em sala de aula, eles interpretam a leitura dos livros que recebem para a gincana, três meses antes. É uma ação que pode produzir jovens leitores mais críticos nessa imersão literária.

Cerca de 800 alunos já participaram diretamente das equipes da Gincana Literária, estudando as obras de cerca de 40 autores escolhidos a cada ano pela coordenação, desde o início desta ação até hoje.

Mas há outros programas dirigidos à comunidade estudantil, com o Pan na Escola, que leva autores convidados para sala de aula, para uma roda de bate-papo dobre a obra estudada pelos jovens, a Pan nos Municípios e salões regionais de livro, que aplicam essa mesma dinâmica, e o Bolsa de Leitura, que forma universitários que fazem contação de história para o público, diretamente na Feira. Há, também, uma área na Feira destinada à literatura infantil e um espaço criado especialmente para crianças que vão ao evento, com uma programação que dura dez dias, onde são apresentadas encenações teatrais e contação de história, atraindo esse público para a leitura, através de montagens lúdicas.

Além de atender o mercado livreiro como tradicionalmente fazem outras feiras promocionais, a Secult tem uma parceria com esse setor que vai mais além. Este ano, as editoras doaram os livros dos escritores que participaram desse grande intercâmbio literário que são os Encontros com Escritores Paraenses e o Encontro Literário, com autores nacionais, e que foram distribuídos em escolas nas quais os professores preparam os alunos para estar na plateia interagindo com esses autores. Essa interação abre caminhos para um leitor que passa a ter acesso à produção dos escritores de forma mais fundamentada.

4. Qual foi a verba destinada ao CredLivro para professores da rede estadual este ano?

Este é outro ponto forte da Feira. O programa Credlivro, criado pelo governo do Estado, facilita o acesso à compra de livros. De acordo com Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a XXI Feira Pan-Amazônica do Livro recebeu do governo do estado recursos de cerca de quatro milhões de reais destinados a 23 mil professores da rede estadual de ensino. Em tempos de crise, o bônus é muito bem-vindo.

5. Em mais um ano de crise na economia do País, como o Senhor define a importância da Feira do Livro Pan Amazônica?

A Feira é um evento popular que junta fãs e seguidores de Belém e de outros municípios. Ela junta a família em torno de um encontro criativo, que não se restringe ao consumo. A Feira Pan-Amazônica do Livro é mercado de varejo, mas é também um mercado cultural, de troca de ideias, de fomento à cultura, da multiplicação da história de quem a produz, seja pelo conhecimento institucional seja no ficcional.

É um evento popular, pois abre as portas para todos. A entrada é franca. E atrai gente de outros municípios, em especial estudantes, que chegam em caravanas não apenas de regiões próximas à capital, mas também de regiões mais longínquas. Vamos lembrar sempre que o Pará é feito de distâncias continentais, mas que não impendem o trânsito e as possibilidades de aqui chegar.

Este ano, participaram cerca de 450 editoras indiretamente, 127 empresas participaram diretamente do evento, sendo 40 editoras participando diretamente, 27 livrarias e 60 distribuidoras de livros. Houve representações de estados da região, o que abre as portas para maior integração da Amazônia nesse setor.

Fala-se muito nesta crise institucional e econômica no país, e este ano o desafio foi grande. Mesmo assim conseguimos colocar no Hangar Convenções e Feiras, local do evento, 370 mil pessoas e movimentamos cerca de 14 milhões de reais em negócios. Uma das estratégias foi focar nos preços e as empresas não recuaram às promoções, oferecendo livros ao custo médio de R$ 10,00. No balanço final, foram vendidos 750 mil exemplares.

 

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