Um novo olhar para a literatura!

Um novo olhar para a literatura!

Um novo olhar para a literatura!

Luiz Antônio Torelli

 

Quando assumi a presidência da Câmara Brasileira do Livro em fevereiro de 2015, a proposta de colocar o livro e o incentivo à leitura como pontos centrais da minha gestão foram apenas o prelúdio desta história. Desde o meu primeiro período no comando da entidade, o nosso compromisso de liderar a difusão do livro é um constante desafio dentro da instituição.

 

O trabalho realizado pela CBL em parceria com outras entidades, e, principalmente, com o esforço conjunto de todo mercado, é uma somatória em que todos buscam um mesmo objetivo: o de oferecer o acesso ao livro para todos os públicos.

 

Temos acompanhado a crise política e financeira pela qual passa nosso país, e os desafios que vem impactando o nosso mercado por conta deste cenário, mas nos mantemos firmes no compromisso de incentivar a leitura no Brasil.

 

Para que o nosso setor consiga acompanhar estas mudanças, é essencial que estejamos atentos à inovação e à criatividade. Alguns fenômenos editoriais recentes foram responsáveis pelo crescimento das vendas de livros no país. Em 2015, por exemplo, os livros de colorir vendidos como “anti stress” se tornaram best-sellers do mercado, proporcionando um excelente desempenho para o setor e reunindo gerações diferentes no consumo do produto. No ano seguinte, os livros escritos por Youtubers foram grandes lançamentos e contribuíram para que mais jovens tivessem interesse pela leitura, por meio de produtos endossados por seus ídolos.

 

Temos outros movimentos que contribuíram para uma mudança recente no mercado editorial, que caracterizou a chegada de um novo modelo de negócio, no qual a Câmara Brasileiro do Livro pretende potencializar esforços e incentivar cada vez mais os players para que desenvolvam produtos para atingir os consumidores ávidos por entretenimento ou conhecimento, em diversos formatos e plataformas. Destaco aqui por exemplo, aplicativos de leitura digital e os clubes de leitura que vem nascendo pelo país, para diferentes perfis de público, com literatura infantil, clássicos e lançamentos.

 

Precisamos trabalhar cada vez mais em inovações que ajudem a desenvolver o mercado. Um bom exemplo é a Metabooks, iniciativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em sociedade com a MVB e a Feira do Livro de Frankfurt, que recém-lançada no mercado, traz uma solução que vai unificar a entrada de dados de livros para editores, e abastecerá os bancos de dados de livrarias, distribuidoras, governo, prestadores de serviços e todos os demais participantes da cadeia produtiva do livro no Brasil. Com essa plataforma o setor conseguirá cortar gastos e tempo abastecendo apenas uma vez as informações no sistema. Por conta da melhor organização dos metadados, editoras chegam a ver suas vendas aumentarem em até 80%.

 

E para que as editoras tenham um amplo respaldo da CBL, pretendemos dar ainda mais musculatura para a nossa estrutura organizacional. Uma das primeiras metas desta nova gestão se concretiza na criação do Departamento de Relações Institucionais, onde daremos ênfase aos associados, parceiros e patrocinadores, garantindo maior produtividade e melhor resultado financeiro, além de buscar novas parcerias com entidades e marcas que tenham alinhamento com nossas temáticas e objetivos de negócio.

 

Além disso, nossa plataforma quer levar a CBL como protagonista em participar de temas de alta relevância – entre eles, e de suma importância a defesa dos programas de compras de livros, para a atuação direta como mediadora entre o governo e o setor privado para propor políticas efetivas para o livro e leitura, com atenção redobrada às bibliotecas.

 

Queremos garantir que serão feitos os esforços necessários – independentemente dos governos, partidos e ideologias – para a viabilização do Projeto de Lei nº 212/2016, que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) e transforma o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) em uma política de Estado.

 

Outro ponto fundamental é dar total apoio ao PLS 49/2015, que estabelece que o preço definido pela editora deverá ser praticado por todo o mercado varejista pelo prazo de um ano a partir do lançamento ou importação. A CBL tem uma importância elementar na defesa de temas de interesse do mercado e da sociedade – dos quais gostaria de citar o nosso empenho em apoiar pautas como o marco regulatório dos Direitos Autorais no Brasil, a regulamentação da Lei Brasileira de Inclusão, a criação do Fundo Nacional Pró Leitura – FNPL, entre tantos outros.

 

Incentivar e estimular a agenda empreendedora também fará parte de nossa gestão. Queremos firmar parcerias com empresas e organizações que tragam soluções para motivar empreendedores a investir na formação de livrarias físicas ou virtuais e empresas de venda direta de livros – proporcionando um acesso cada vez maior à literatura e à abertura de novos negócios, estimulando e, principalmente, renovando o mercado editorial.

 

Além disso, o próximo biênio também será responsável por fortalecermos eventos de grande importância para a literatura. Vamos fortalecer ainda mais a notoriedade e importância do Prêmio Jabuti, um dos reconhecimentos mais importantes do legado da leitura, que premia nomes consagrados e revela novos talentos da literatura e do mercado editorial.  Soma-se a isso, um dos nossos grandes esforços e a aguardada edição de número 25ª da Bienal Internacional do Livro de São Paulo – a maior feira de livros da América Latina programada para 2018, em que reúne o livro em todos os seus formatos e espaço para que muitos leitores encontrem seus ídolos.

 

A literatura faz parte do cotidiano das pessoas e, para a CBL, ela faz parte de um grande movimento de tornar o livro um protagonista para o conhecer, para o entreter, para o divertir e para o informar! Que seja um período de muitas leituras e histórias fabulosas para o nosso mercado!

 

* Luiz Antônio Torelli é Presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)

 

 

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