É preciso redimir o Brasil pela leitura

É preciso redimir o Brasil pela leitura

É preciso redimir o Brasil pela leitura

Acabam de ser divulgadas duas pesquisas essenciais para entendermos e atendermos melhor ao desafio de democratizar o livro no Brasil. A primeira é Produção e Vendas do Setor Editorial, ano base de 2015, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), para a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). A outra é a quarta edição de Retratos da Leitura no Brasil, promovida pelo Instituto Pró-Livro, com o patrocínio das duas entidades e da Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros).

No contexto da meta de ampliar a base de eleitores no Brasil, é importante enfatizar dois aspectos das duas pesquisas que convergem para o imenso potencial existente no País no sentido de se cumprir o prioritário objetivo. O trabalho da FIPE demonstrou que o setor editorial brasileiro vendeu 389 milhões de exemplares em 2015. Considerado apenas o recorte relativo ao mercado, excluindo-se as compras governamentais, foram vendidos 254 milhões de exemplares.

É preciso ressalvar que os livros vendidos não expressam os índices de leitura, pois o mesmo exemplar pode ser lido por mais de uma pessoa. Nesse aspecto, é mais importante recorrermos ao que nos mostra a pesquisa Retratos da Leitura, considerando como leitor os indivíduos maiores de cinco anos que leram, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Estes, segundo o estudo, eram 56% do universo de leitores em potencial em 2015.

O que os dados das pesquisas da FIPE e do Instituto Pró-Livro nos mostram com clareza é que precisamos trabalhar muito para que os brasileiros possam comprar mais livros e para que mais brasileiros leiam! Obviamente, o êxito nessa luta depende de numerosas políticas públicas ligadas à educação, à inclusão socioeconômica e à retomada do crescimento do PIB.

Estamos atentos, no âmbito da nova realidade da política nacional, ao andamento de programas como os de aquisição de livros didáticos, literatura e obras gerais para alunos e bibliotecas de escolas públicas, bem como o Vale Cultura. É preciso ampliar o foco na defesa de políticas públicas que promovam a inclusão por meio do conhecimento! Para atender a essa expressiva demanda em potencial, temos no Brasil uma das mais criativas, pluralistas, diversificadas e abrangentes produções editoriais do mundo.

A CBL testemunha isso a cada ano, no Prêmio Jabuti, que este ano chega à 58ª edição. Nas numerosas inscrições que recebemos, observa-se que o País é uma inesgotável fonte de escritores talentosos e de profissionais, de distintos campos de atuação, que compartilham o conhecimento de suas pesquisas e carreiras com milhares de pessoas, por meio da democrática mídia que é o livro. Autores consagrados e novos escritores, estimulados pelo prestígio e credibilidade do Jabuti, participam anualmente do prêmio, que é um grande retrato do universo editorial do País.

O público responde positivamente ao ímpeto criativo de nossos autores, sinalizando ser muito viável multiplicar o número de leitores no Brasil. Independentemente da obrigação inerente ao Poder Público, é preciso que o mercado, cada vez mais e como se tem observado, faça sua parte para que o Brasil seja redimido pela leitura!

*Luís Antonio Torelli é o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

 

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