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O Papel das Feiras e Bienais do Livro para a pluralidade de pensamentos

O Papel das Feiras e Bienais do Livro para a pluralidade de pensamentos

A recente notícia de que uma feira literária retirou o convite feito aos escritores Miriam Leitão e Sérgio Abranches, nos causou surpresa e certo estranhamento. As feiras de livros e Bienais, como se sabe, são espaços multiculturais, para a discussão dos mais diversos temas e posições e é exatamente isso que faz delas eventos tão especiais e queridos dos leitores e dos visitantes deste tipo de evento.

Em tempos de discussões calorosas em que nos vemos, é inevitável a abordagem de um dos pilares mais importantes para o livro e para a democracia: a liberdade de expressão. É importante cultivá-la e defendê-la, zelando por sua integridade. Quero aqui me distanciar de polêmicas político-partidárias, porque este direito é assegurado a todos, independente de opinião, crença ou posicionamentos políticos, porque é na riqueza dos debates e na pluralidade de ideias que a humanidade tem evoluído ao longo destes anos e o livro tem sido fiel escudeiro nesta jornada.

E também é neste contexto que devem ser compreendidas as Feiras e Bienais de Livros: Como um espaço amplo, em que o público possa ter contato com os mais diversos pensamentos e autores. Nestes eventos, a riqueza está exatamente na diversidade de assuntos e presenças. Como organizadora da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, temos sempre em mente a importância de proporcionar este encontro dos autores com os leitores e com os fãs. E é por esta razão que investimos sempre em uma programação rica, que atenda as crianças, os jovens, os adultos, professores, bibliotecários e amantes do livro em geral.

E este é o papel das feiras: levar informação, conhecimento, educação, entretenimento, ampliar os pontos de vista em um ambiente pacífico, plural e alegre. Transformar esse grande encontro de autores e leitores em campo fértil para novas ideias e em uma grande festa do livro e do leitor.

Diante de tudo isso, consideramos que estes eventos, dada à sua importância e seu ambiente democrático não deve ceder à pressões de grupos específicos, independente de posicionamentos políticos, crenças, e lados, porque são ambientes eminentemente democráticos onde todos tem voz.

É com preocupação que assistimos episódios nos quais a intolerância se manifestou em feiras de livro. O mais recente deles levou à suspensão, no município de Jaraguá do Sul, de uma palestra da jornalista Miriam Leitão, uma das vozes mais respeitadas do jornalismo brasileiro, e do cientista político Sérgio Abranches. A convivência pacífica e o pluralismo sempre deram o tom nas feiras de livros realizadas em todo o país. Esse ativo democrático é um patrimônio da cultura brasileira e tem de ser preservado para que não fique comprometido um dos maiores valores assegurado pela nossa Constituição: a liberdade de expressão.

Vida longa a todos os eventos literários do Brasil!

 

 

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