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O livro no Brasil – uma década da nossa história

O livro no Brasil – uma década da nossa história

*Luis Antonio Torelli

Neste mês o Blog do Galeno comemora dez anos de existência. Imagino quantas ações, discussões e realizações Galeno presenciou e relatou em matérias sobre o nosso setor. Nós, da Câmara Brasileira do Livro, escrevemos juntos com todo o mercado editorial brasileiro a história e o futuro do livro no país. E, assim como Galeno, presenciamos e fizemos parte de muitos momentos icônicos desses últimos dez anos.

Foram inúmeras feiras do livro em todo o território nacional – incluindo a nossa Bienal Internacional do Livro de São Paulo; dez edições do Prêmio Jabuti, que completará seis décadas em 2018; a criação de comissões para discutir diferentes assuntos em torno do livro; criação de novas tecnologias para aprimorar o mercado; desenvolvimento do livro digital; o nascimento e evolução de pesquisas sobre o mercado editorial e o consumo do livro.

Algo que pude sentir nesses últimos anos, é que, apesar de toda a tecnologia e tendência de nos relacionarmos cada vez mais virtualmente, ainda é essencial estarmos presentes fisicamente na vida do leitor. Em dez anos, realizamos cinco edições da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, palco para o encontro das principais editoras, livrarias e distribuidoras do país. Com o tempo, entendemos que era preciso oferecer ao leitor mais do que livros: experiência, vivência. Começamos a trabalhar a Bienal como uma grande festa do livro, oferecendo um evento que ia muito além da simples compra e venda, com uma programação cultural abrangente, mesclando literatura, gastronomia, cultura, negócios, além de encontros com escritores. Dessa forma, não apenas vendíamos livros, mas criávamos todo o imaginário sobre o porquê de amar a leitura.

Também sentimos o crescimento dos livros digitais. Discutimos o reflexo e o desenvolvimento desse mercado em seis edições do Congressos Internacional CBL do Livro Digital. Nos questionávamos se o livro físico iria acabar ou não, tentávamos entender o futuro. Mas, o que posso compreender hoje, é que o livro digital veio para agregar valor à leitura.

Inclusive, as tecnologias vêm contribuindo na forma como consumimos literatura, e também como organizamos o mercado. Em 2015, a CBL firmou uma joint venture com a empresa MVB, coligada à Feira do livro de Frankfurt para dar início ao processo de implantação da plataforma unificada de metadados para o mercado brasileiro: a Metabooks. Isso significa que, em breve, o mercado ganhará produtividade e agilidade na comunicação de seus produtos. Consegue imaginar como isso trará benefícios para nossos players? Quanto tempo às equipes deixarão de gastar com assuntos burocráticos e passarão a focar no desenvolvimento do setor?

O livro brasileiro é muito rico e precisa ser prestigiado no Brasil e no mundo! Nacionalmente, acredito que uma das melhores formas de enaltecermos nossa produção é com o Prêmio Jabuti, que completará 60 anos em 2018. O Jabuti refletiu a experiência de dois grandes curadores, José Luiz Goldfarb, que ficou à frente do prêmio por 20 anos, e Marisa Lajolo, nas últimas três edições. Este ano, anunciamos Luiz Armando Bagolin, que será responsável pela premiação durante o biênio 2017/2018. Muitas mudanças aconteceram durante a década, inclusive a criação de novas categorias, como “Livro Digital Infantil”, incluído em 2015, e as novidades deste ano: “História em Quadrinhos” e “Livros brasileiros publicados no exterior”.

E como falar sobre a importância da produção brasileira sem pensarmos em leva-la para o exterior? Nessa última década pudemos ver nosso espaço sendo conquistado lá fora. Em 2008 iniciamos um projeto de internacionalização de nossa produção editorial, por meio do programa Brazilian Publishers (BP), em convênio com a Apex/Brasil, que organiza a participação de editoras nacionais nas mais importantes feiras internacionais do setor. Passamos a marcar presença nas principais feiras do mundo: Frankfurt, Guadalajara e Bolonha. A última edição da Feira do Livro de Frankfurt, por exemplo, rendeu mais de 800 reuniões com cerca de 30 países e US$ 620 mil em negócios realizados.

Nosso ápice em feiras internacionais aconteceu entre 2012 e 2015, quando o Brasil foi convidado, respectivamente, para ser o país homenageado nas feiras do livro de Bogotá (2012), Frankfurt (2013), Bolonha (2014) e Paris (2015). Foram experiências únicas, que reforçaram ainda mais a importância da produção literária brasileira para o mundo.

Para finalizar essa reflexão sobre a última década, nada melhor do que falarmos sobre a importância das nossas pesquisas “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro” e “Retratos da Leitura no Brasil”. Com elas, passamos a entender melhor o nosso mercado como um todo, com seus pontos fortes e fracos, e o consumo de livros pelo brasileiro. Essas pesquisas foram e continuarão sendo essenciais para traçarmos e conquistarmos as melhorias que necessitamos.

Não posso deixar de falar que nos últimos anos dessa década, sentimos o impacto da crise política e econômica pela qual passa nosso país, e os desafios que vem impactando o nosso mercado por conta deste cenário. São programas do governo interrompidos, financiamentos reduzidos, uma séria de questões que estamos trabalhando para tentar reverter. Como Câmara Brasileira do Livro queremos deixar clara a nossa luta pelo setor.

Este ano, fui eleito para mais uma gestão, meu segundo biênio à frente da CBL. Para tanto, nossa Plataforma de Trabalho foi pensada em quatro eixos distintos, distribuídos de tal forma que formem um plano de estratégias e diretrizes capazes de consolidar um caminho para atravessar este período: Ações para a melhor gestão da CBL; Relações com o Governo; Relações com o mercado; Mais livros, mais leitores. Acredito que ao investirmos nesses quatro pilares, conseguiremos construir um Brasil mais leitor. E, assim, lermos no blog do Galeno as grandes conquistas do mercado editorial durante os próximos anos.

 

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